Estudo revela experiências de escolas de tempo integral

Análise de 20 casos indica que não há modelo único; currículo, divisão do horário e até local de atividades variam

Ocimara Balmant, de O Estado de S. Paulo,

03 Abril 2013 | 09h35

Ainda raridade nas redes públicas, o número de escolas de tempo integral tem crescido após o Plano Nacional de Educação – em trâmite no Congresso – prever que, até 2020, metade das escolas amplie a jornada escolar diária para o mínimo de sete horas. Atualmente, 32 mil instituições públicas do País têm parte ou a totalidade dos alunos estudando neste formato, o que representa 22% do total.

Mas, em muitos casos, o aumento da carga horária é a única questão que une essas experiências dispersas pelas cinco regiões do Brasil. O currículo, a divisão do horário e até o espaço em que as atividades são realizadas variam muito de município para município e até de escola para escola.

É o que mostra a publicação apresentada ontem por Fundação Itaú Social, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Em destaque, 20 experiências que podem ser referência tanto na organização do tempo e do espaço, como na formação dos profissionais e no monitoramento e avaliação do programa.

“O que, até há pouco tempo, eram apenas experiências esparsas, tem crescido dia a dia”, diz Isabel Santana, gerente de gerente de educação e avaliação da Fundação Itaú Social. “Mas precisamos ver se a prática perdura, porque cerca de 70% dos prefeitos foram trocados neste início de ano e uma das grandes fragilidades das políticas municipais é a ruptura de projetos”, alerta.

Achados

Em Piraí (RJ), os alunos do 5º ao 9º ano passaram a ter aulas de duas horas antes e depois do intervalo, o que permitiu outro ritmo de aprendizagem, com mais tempo para a mesma disciplina.

Em Betim (MG), o destaque é o trabalho integrado de 12 secretarias municipais. A de planejamento, por exemplo, computa em seu orçamento gastos com locação de espaços para atividades externas dos alunos. A de esportes contemplava em seu quadro os profissionais para atuar em oficinas nas escolas ou centros conveniados.

“Um trabalho completamente intersetorial, em que a educação é um projeto de governo e o interesse da população é o que move as parcerias”, explica Darli Dias, que integrava, até a mudança da gestão, no início deste ano, a coordenação do programa.

Em Santos (SP), o destaque é o trabalho de monitoramento e avaliação do programa de educação integral. No município do litoral paulista, a avaliação da aprendizagem das crianças é feita três vezes ao ano por elas próprias, pelos professores e monitores. Depois que as informações são colhidas, professores e monitores digitam os dados em um programa especialmente construído para esse fim. O acesso é simples e os resultados fazem com que os educadores se sintam motivados a desenvolver esse belo trabalho.

“As avaliações mostram que os que mais se beneficiam da educação integral são os de piores condições socioeconômicas. Logo, a educação é fundamental para a equidade. E, a equidade, com a garantia de que todos estão aprendendo, é condição para o desenvolvimento do País”, resume Isabel.

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