TABA BENEDICTO / ESTADAO
Depois de fazer um trabalho com uma aluna chinesa, Beatriz decidiu aprender mandarim na Unicamp, instituição onde ela estuda Letras TABA BENEDICTO / ESTADAO

Estudo de inglês do básico ao específico

Instituições oferecem de programas rápidos para viagens a cursos para se aprofundar na língua mais procurada no mercado de trabalho

Alex Gomes, especial para o Estadão

22 de junho de 2021 | 05h00

"Dois amigos decidiram estabelecer um morcego: quem seria o primeiro a pegar a aposta em pleno voo." Tal frase, sem nenhum sentido, é a tradução de uma sentença em inglês proferida com erro na pronúncia. Quem não conhece bem as nuances que diferenciam a leitura das palavras "bet" e "bat", que respectivamente significam "aposta" e "morcego", tropeça fácil nesse tipo de armadilha fonética.

Quem participa de reuniões em inglês sabe que não adianta dominar um extenso vocabulário se os termos soam confusos ou com sentido distorcido. E nem tem mais como fugir: a proliferação das videoconferências na pandemia deve se tornar regra e quem não estiver com o "listening" e o "speaking" tinindo pode ter muito prejuízo.

É para desenvolver essas habilidades que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) organiza o curso de extensão Fonética Aplicada ao Aprimoramento da Pronúncia e da Compreensão Oral em Língua Inglesa. O curso visa a estimular a atenção do aluno para perceber as pistas acústicas que diferenciam os sons do inglês. Também aborda reduções, simplificações ou encurtamentos nas pronúncias de palavras, algo comum entre nativos do idioma, mas que deixa os ouvintes brasileiros sem entender nada.

"Como as pessoas têm um inventário de sons da língua materna, não percebem a diferença entre sons de idiomas estrangeiros", diz Sandra Madureira, coordenadora do curso. "Por exemplo, as palavras em inglês para morcego e aposta apresentam um contraste de som vocálico, muito difícil para o aluno brasileiro assimilar. Não temos um contraste assim em nosso idioma."

O curso da PUC está dividido em dois níveis, com 30 horas cada. O nível 1 visa à prática na produção de sons e à atenção a pistas acústicas necessárias para a discriminação dos sons em língua inglesa. Já o nível 2 foca em questões relacionadas à aquisição de sons em língua inglesa.

"A fonética é uma das ciências da fala. Dá os instrumentos para produzir e perceber os sons, características que intermedeiam a comunicação. Muitas vezes a pessoa lamenta ter estudado o inglês por muitos anos e não conseguir se comunicar, sem perceber que o problema pode estar na fonética", diz Sandra.

Aluna de Letras da Universidade de Campinas (Unicamp), Beatriz Moya de Carvalho decidiu se matricular no curso de mandarim básico na instituição após fazer um trabalho de fonética com uma estudante chinesa. "Gosto da sonoridade do mandarim. É um sistema bem diferente do nosso, no sentido de fonologia, porque usa sons que não temos. Estudar mandarim me ajuda a pôr em prática os conteúdos que estudei sobre o aparelho fonético."

Na prática

Mas, no caso do inglês, e quando o vocabulário é tão pequeno que não é suficiente nem para cometer deslizes? É hora de começar a estudar para situações pontuais. A Universidade do Vale do Taquari (Univates) tem o curso de curta duração Inglês na Prática – Módulo 1 – Viagens. Como o nome sugere, a formação trata da situação mais comum em que brasileiros passam por apuros com o inglês.

"Além dos turistas, o curso ajuda quem precisa estudar ou trabalhar. Às vezes surge uma oportunidade em cima da hora e é preciso uma preparação de emergência", diz Caroline Labres Krohn, coordenadora da área de Idiomas da PUC.

O contexto de aeroporto é trabalhado para lidar com check-in, despacho ou desvio de bagagens e diálogos com atendentes. O curso ensina estruturas básicas de frases e traz um pouco de emoção ao aprendizado. Afinal, um viajante diante de uma autoridade estrangeira indagando explicações sobre a viagem pode ter dificuldade em se manter sereno para aplicar o inglês. "Tratamos de situações de adversidade, sobre como reagir se houver uma documentação errada, por exemplo", explica Caroline. "Lidamos com aspectos psicológicos para a pessoa agir com calma, saber a quem se reportar e como lidar até com interrogatórios que possam surgir."

Serviço

PUC-SP

Curso: Fonética Aplicada ao Aprimoramento da Pronúncia e da Compreensão Oral em Língua Inglesa

Duração: 60 horas

Custo: 4 parcelas de R$ 371,25

Site: pucsp.br

Univates

Curso: Inglês na Prática - Módulo 1 - Viagens

Duração: 30 horas

Custo: 4 parcelas de R$ 220 (desconto de 10% para estudantes de outros cursos)

Site: univates.br

Unicamp

Curso: Mandarim Básico Módulo I

Duração: 60 horas

Custo: R$ 600 (desconto de 90% para alunos e funcionários)

Site: institutoconfucio.unicamp.br

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Influência da China na economia do Brasil motiva estudo de mandarim

Unicamp tem formação vinculada ao Instituto Confúcio, que promove o ensino da língua chinesa pelo mundo

Alex Gomes, especial para o Estadão

22 de junho de 2021 | 05h00

É cada vez mais comum ouvir o idioma chinês nos mais diversos ambientes, desde as salas de reuniões nas quais gestores lidam com cifras milionárias até nas happy hours entre colaboradores nacionais e os que desembarcam da Ásia

Apesar do reinado do inglês como segundo idioma escolhido pelo brasileiro, o aprendizado do mandarim ganha cada vez mais adeptos, motivados principalmente pela influência chinesa na economia do País. O gigante asiático é o maior parceiro comercial do Brasil, responsável por um total de US$ 33,6 bilhões do superávit de US$ 50,9 bilhões da balança comercial em 2020. 

Para quem tem urgência em entender o mandarim, cursos de extensão de curta duração podem ser o primeiro passo para conseguir pelo menos cumprimentar e se manter alimentado. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) organiza desde 2015 o curso de extensão em mandarim básico, que serve de introdução a outros programas mais avançados que a instituição paulista oferece sobre o idioma.

A formação é vinculada ao Instituto Confúcio, uma entidade chinesa que busca promover o ensino do mandarim pelo mundo. Por meio da parceria, o instituto estabeleceu uma unidade na Unicamp para a qual envia professores nativos da China.

"Para nós, foi uma surpresa a diversidade de interessados. Nós achávamos que o curso seria mais procurado por alunos de Letras, Literatura e História. Porém vimos muitos estudantes de cursos como Engenharia e Medicina", relata Bruno de Conti, diretor do Instituto Confúcio da Unicamp. "Com certeza é algo motivado pela influência da China no mercado de trabalho", acredita Conti.

Demanda

A procura pela extensão na Unicamp cresce todos os anos. No segundo semestre de 2015, havia 33 inscritos. No mesmo período no ano seguinte, o número saltou para 137. No segundo semestre de 2020, mesmo com a pandemia, houve 170 inscritos no programa.

"Nós recebemos ofertas de emprego que não exigem um nível fluente de mandarim. Muitas companhias chinesas consideram importante contratar mesmo as pessoas que tenham apenas um nível básico de compreensão. Eles veem com bons olhos a demonstração de interesse do nosso estudante pela cultura chinesa", explica o diretor do instituto na Unicamp.

Foi exatamente o gosto pela cultura da China que levou Beatriz Moya de Carvalho, estudante da graduação de Letras da universidade, a se matricular para aprender mandarim básico na Unicamp. A aluna está na reta final do curso e já faz planos de continuar o aprendizado do mandarim, com outros módulos mais avançados oferecidos na Unicamp.

Beatriz espera também poder viajar para a China, para sentir de perto os aspectos culturais, as tradições e pôr em prática o idioma que vem conquistando cada vez mais interessados no Brasil, seja por admiração ou ambições profissionais.

"A questão econômica não me interessa diretamente, mas várias pessoas que fazem o curso comigo são motivadas por essa razão. De uma forma ou outra, creio que também serei beneficiada nesse aspecto. Por isso, não é prudente ignorar a China", diz a estudante

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