WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Estudar no exterior aumenta a remuneração

Salário pode ser até 110% maior quando MBA é realizado em uma conceituada instituição estrangeira

Guilherme Guerra, Especial para o Estado

13 Novembro 2018 | 07h00

Tanto os economistas de formação Plinio Marcolin, que foi para Madri, na Espanha, para estudar na IE Business School, quanto Érika Hatori, aluna do Ibmec São Paulo que fez um módulo internacional de sete dias em Chicago, nos Estados Unidos, não negam que um MBA no exterior é um diferencial e tanto no currículo. Mas, para além de um CV destacado, também são outros os motivos que levam um estudante a procurar universidades estrangeiras para fazer uma especialização em gestão para executivos.

A razão que mais salta aos olhos é o salário. Uma remuneração pode aumentar em até 110% depois de três anos do fim do MBA nas faculdades de Administração mais prestigiadas do mundo, como Stanford e Insead. Em comparação, o programa internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), One MBA, pode aumentar a remuneração em 60%. Os dados são da edição de 2018 do ranking global da revista Financial Times, cujo levantamento é referência mundial no assunto. A publicação também fez uma lista por qualidade de ensino e, entre as 100 universidades com MBA executivo, há somente duas brasileiras: FGV (na 44.ª posição) e a filial brasileira da Katz University (52.º lugar).

O country manager da IE Business School do Brasil, Newton Campos, afirma que outras razões para estudar fora podem ser a vontade em sair do País, viver outra cultura e ampliar os horizontes para novas oportunidades profissionais. “Nós não temos interação com o mundo”, diz, referindo-se ao pouco espaço que as universidades brasileiras dão para o intercâmbio com alunos estrangeiros. Campos compara a pouca diversidade de nacionalidade na academia brasileira e latino-americana com os cidadãos de 120 nações que circulam pelo campo da IE Business School, em Madri. “O modo de vida na Europa é extremamente globalizado.”

Preço

O grande problema de cursar um MBA no exterior é o alto custo. Nas escolas de prestígio, os dois anos podem sair por mais de R$ 200 mil e chegar a R$ 400 mil, a variar de acordo com o câmbio do País. Isso significa que o soprar dos ventos na economia brasileira pode baratear ou encarecer ainda mais o programa. “Nos dois cenários, é caro, mas em um deles é extremamente caro”, diz Campos, acrescentando que a vontade de sair do País é inversamente proporcional ao cenário econômico.

“A demanda é contracíclica. Quanto maior a crise do país emergente, maior a procura por estudar fora. Agora a gente está nesse período. Houve muita demanda e a gente enviou 70 pessoas por ano para Madri. Agora que o País dá sinais de término da crise, as pessoas repensam”, afirma.

Plinio Marcolin conta que abandonou um emprego de dois anos para fazer o MBA em Madri, terminando o curso em agosto de 2016. Ele gastou 60 mil euros no curso ganhou uma bolsa de 20% da instituição. Segundo ele, os custos só foram superados com a ajuda de uma poupança que mantinha e de investimentos. “Eu medi que isso era mais importante pra mim (do que continuar no emprego)”, diz. Apesar desse desejo de estudar fora, ele não pensou em morar fora, mesmo sabendo das vantagens de continuar no exterior. “Eu sempre quis voltar, mas entendo que existem muitos benefícios e o MBA ajuda a atingir esse fim (de sair do País)”, completa Marcolin.

Integral

Principalmente nos Estados Unidos e na Europa, a maior parte dos MBAs são “full-time”, com tempo integral e duração de um a dois anos. Os estudantes costumam se dedicar ao curso, sem outros empecilhos que possam desviar a atenção do curso, como uma rotina exaustiva de trabalho. É um cenário bem diferente daqui, onde o aluno precisa conciliar vida pessoal, trabalho e excelência nos estudos - e não é fácil abrir mão de toda essa vida.

Foi pensando nisso que o Ibmec preparou o Global MBA, curso presencial no Brasil em que os alunos fazem uma viagem internacional de sete dias para a americana Chicago. E, mais importante, o aluno sabe no momento da matrícula a data da viagem, com antecedência o suficiente para se preparar, conseguir uma folga na empresa onde trabalha e se planejar financeiramente.

A aluna do Ibmec São Paulo Érika Hatori conta que a viagem foi o diferencial que a levou a escolher o MBA Global. “Minha agenda é tumultuada e viajo a trabalho. Então, quando vi que teria um programa de curta duração que trazia excelência, falei: ‘é isso o que quero’.” Nos seis primeiros meses de curso, Érika fez aulas diárias de inglês para chegar afiada. “Todos os dias me preparei para a viagem a Chicago.”

A coordenadora de pós-graduação do Ibmec São Paulo, Rina Pereira, sabe que outros cursos de MBA no Brasil exigem no mínimo 15 dias para qualquer experiência no exterior. A última turma visitou incubadoras e também a sede oficial do McDonald’s para entender como a rede de fast-food tenta se reinventar em uma época em que clientes querem lanches mais saudáveis. Ali, conheceram empresários do setor, a turma se aproximou e todos vivenciaram outra cultura. “Esse programa é para o executivo que não tem tempo pra ficar um mês fora”, afirma.

“Muita gente fecha um curso internacional achando que está indo para fazer um passeio. Estudo internacional exige preparação”, comenta a coordenadora. Para ela, o importante é aproveitar a experiência fora para estudar, já que a viagem é um complemento à formação. “Quando você faz um curso fora, o programa tem que estar amarrado com o que você pretende fazer na sua atualização profissional.”

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