Estudar literatura para o vestibular exige estratégia

Professores ensinam candidato a se dar bem também na leitura das obras obrigatórias

Carlos Lordelo, Estadão.edu

24 de maio de 2010 | 23h37

Todo vestibulando sabe como estudar matemática: prestando atenção nas aulas e respondendo a exercícios. Mas poucos montam uma estratégia de estudo de obras de literatura. Para especialistas, a leitura dos clássicos demanda concentração e planejamento, como qualquer outra disciplina.

 

 

“É bom fazer fichas com anotações sobre enredo e personagens e montar um esquema do desenvolvimento do conflito”, sugere William Cereja, autor de livros didáticos. “Analisar como o assunto foi abordado em vestibulares anteriores ajuda”, diz a diretora-executiva da Fuvest, Maria Thereza Rocco.

 

 

Segundo Ana Cláudia Fidelis, que no seu doutorado estudou as listas dos vestibulares, deve-se estabelecer “diálogos” entre obras, apontando semelhanças e diferenças. Maria Thereza concorda: “As questões sempre procuram fazer conexões entre livros da lista.”

 

 

Para fixar o conteúdo, o candidato deve revisar suas fichas, ler análises sobre a obra e resumos preparados pelos cursinhos. Mas cuidado: resumos não podem ser a única fonte de estudo. “O que distingue o texto literário dos outros é que, resumido, ele perde o essencial”, diz Francisco Savioli, supervisor do Anglo. “O essencial não é só o que foi dito, mas o modo como foi dito.”

 

Seis dicas para se dar bem

1 Analise as questões que já caíram em provas anteriores e o que ainda não foi abordado. “O importante é saber de que forma o assunto caiu, porque ele pode voltar a ser explorado de maneira diferente’’, diz Heric José Palos, professor do Etapa

 

2 Pesquise o contexto sócio-histórico do livro. “A arte não é causa, é produto de uma época”, diz Heric Palos

 

 

3 Faça anotações sobre os elementos mais importantes do livro, como enredo e personagens. Crie um esquema que mostre o desenvolvimento do conflito principal. “Isso evita confusões, pois o aluno precisa ler um número grande de obras”, diz William Cereja, autor de livros didáticos. Resumos e análises, como os preparados por cursinhos, podem ser úteis na revisão do conteúdo. “Mas se apoiar só nesse tipo de material é limitador. Ele não substitui a leitura das obras”

 

 

4 Busque semelhanças e diferenças entre as obras. Os vestibulares têm preferido fazer uma abordagem comparativa dos livros, em lugar de criar questões sobre enredos isolados. “Repare, por exemplo, em questões como a urbanidade em Memórias de um Sargento de Milícias e em O Cortiço, ou na própria linguagem que diferencia Vidas Secas e Capitães da Areia”, afirma William Cereja

 

 

5 Leia análises críticas sobre o livro. Procure material escrito por especialistas, mas nada muito profundo, sugere William Cereja. “Esses estudos devem ser enxutos, para ajudar o aluno a penetrar em questões de destaque da obra”

 

 

6 Assista a filmes e peças adaptados dos livros. Da atual lista da Fuvest, é possível encontrar Dom Casmurro, Vidas Secas e Iracema, por exemplo. “Eles servem para discussão e comparação com a obra original. Mas deve-se tomar cuidado, porque não substituem a leitura dos livros”, diz William Cereja

 

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