Estudar e subir na vida contraria natureza, diz Charles

O príncipe Charles, da Inglaterra, está sob ataque da imprensa britânica e do próprio governo de seu país, depois de ter afirmado, em síntese, que as pessoas comuns não devem acreditar que podem subir na vida e deixar de ser serviçais.A pérola do pensamento monárquico foi exposta num memorando assinado pelo príncipe de Gales, no qual ele justifica a demissão de uma funcionária de origem afro-caribenha. Charles afirma que o moderno sistema educacional vai contra a seleção natural.Sem capacidadeO príncipe acha que o sistema educacional moderno faz todo mundo se achar capaz de "chegar a astro pop, juiz do Supremo Tribunal, brilhante apresentador de televisão ou chefe de Estado (...) sem o trabalho nem a capacidade necessários", segundo transcreve a agência Efe.O herdeiro do trono britânico acha que o "utopismo social" predominante considera possível "manipular genética e socialmente" os indivíduos contra as "lições da História" e as "realidades da natureza".MinistroAlém de ter ocupado a primeira página de jornais como o The Guardian, o pensamento de Charles sobre a plebe foi criticado pelo ministro da Educação do Reino Unido, Charles Clarke."Para ser franco, acho que (Charles) está bastante antiquado e que não entende o que está ocorrendo na educação britânica neste momento", disse o ministro. para quem as idéias do príncipe vão totalmente contra a meritocracia defendida pelo governo trabalhista de Tony Blair.Falando à BBC, Clarke disse que, mesmo que "nem todos possamos nascer para ser rei", é totalmente legítimo buscar crescer na hierarquia, fazendo o melhor possível. "Acho que é muito importante que cada criança tenha a ambição de conseguir o que possa fazer por si mesmo, e é preciso alentar para que o façam."Funcionária demitidaO memorando de Charles foi uma das provas apresentadas no começo do julgamento por demissão sem justa causa da funcionária Elaine Day, que afirma ter perdido seu emprego depois de denunciar constantes humilhações no trabalho.A antiga funcionária, que apresentou uma denúncia por discriminação sexual, qualificou a equipe do príncipe de "elitista e hierárquica", algo que atribuiu à crença de Charles de que "todo o mundo tem que saber qual é seu posto na sociedade" e se conformar com ele, segundo a Efe.

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