Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Estudantes travam sete vias importantes da capital paulista

Manifestantes protestam contra o fechamento de escolas no Estado de São Paulo; PM usa bomba para dispersar grupo no centro

Felipe Resk, Luiz Fernando Toledo, Isabela Palhares e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2015 | 09h21

Atualizado às 12h31

SÃO PAULO - Estudantes contrários à reorganização da rede estadual de ensino, realizada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), fizeram protestos em série e bloquearam ao menos sete vias da capital paulista na manhã desta quinta-feira, 3. Parte das ruas e avenidas foi liberada após o grupo de manifestantes ser dispersado por bombas de gás lançadas pela Polícia Militar - uma ordem do secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, de impedir que vias importantes fiquem completamente travadas.

Os protestos reivindicam que o governador Geraldo Alckmin recue da decisão de fechar escolas no Estado a partir de 2016. A estratégia de bloquear o trânsito na capital foi adotada pelos alunos desde o início desta semana e alguns atos anteriores já terminaram em confrontos com policiais e com pessoas detidas. Os alunos também organizam ocupações nas unidades de ensino.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a primeira via a ser bloqueada foi a Avenida João Dias, sentido centro, próximo ao terminal de ônibus, na zona sul. O ato começou por volta das 7h20 e terminou cerca de meia hora depois. Houve impacto no trânsito, com lentidão da altura da Avenida Giovanni Gronchi até o Terminal João Dias. Próximo ao terminal, quatro manifestantes foram detidos e levados para o 14º DP (Pinheiros). Um grupo de alunos está em frente à delegacia.

Cerca de cinco minutos depois, a Estrada do M’Boi Mirim, também na zona sul, foi travada no sentido centro. A CET montou uma faixa reversível para permitir a passagem de ônibus - o que não impediu que o trânsito ficasse ruim na região. Depois, o grupo saiu em caminhada e se uniu a outro protesto. Eles interditaram uma faixa da Avenida das Nações Unidas, sentido Rodovia Castelo Branco. A PM acompanha o ato.

Por volta das 07h30, os manifestantes bloquearam os dois sentidos da Avenida Professor Francisco Morato, no cruzamento com Avenida Jorge João Saad, na zona oeste. O trânsito está lento na região. Às 08h15, a pista foi totalmente liberada. 

Também por volta das 7 horas, estudantes - a maioria da ocupação da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste - interditaram a Marginal do Pinheiros na altura da Ponte Eusébio Matoso. Os alunos bloquearam as sete faixas de rolamento, mas liberaram duas delas para veículos cerca de dez minutos depois.

Depois da chegada da PM, eles saíram da Marginal e seguiram até o início da Rodovia Raposo Tavares, onde pretendiam fazer um bloqueio. Com a presença da polícia, os manifestantes não conseguiram fechar a via e se reuniram atrás da Estação Butantã, onde fizeram uma assembleia.

Para não ser seguido pelos policiais, o grupo decidiu ir de Metrô até a Faria Lima. No entanto, os manifestantes tentaram pular a catraca, desencadeando uma confusão com os seguranças. Houve tumulto, a estação ficou lotada e prejudicou os passageiros que precisavam usar o serviço de transporte.

Por volta das 9h50, o mesmo grupo interditou uma pista no cruzamento entre as Avenidas Rebouças e Faria Lima. Policiais atiraram bombas contra os estudantes pelo menos três vezes no local. Houve correria e os alunos seguiram correndo na contramão da Faria Lima para fugir da PM. 

Na Rua Heitor Penteado, os estudantes montaram um bloqueio na altura da Estação Vila Madalena, na zona oeste, por volta das 8h30. O protesto durou menos de uma hora e foi dispersado após a polícia utilizar ao menos duas bombas de efeito moral. O trânsito ficou carregado nos sentidos. Não houve detidos.

Os alunos chegaram a ocupar o cruzamento das Avenidas Angélica com a São João, mas a PM usou bombas de gás para dispersar o grupo. Segundo testemunhas, uma das bombas chegou a atingir uma moto, que foi danificada.

Na quarta-feira, 2, o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou que não vai permitir que os protestos não deixem ao menos uma faixa livre para o trânsito e elogiou a atuação da PM até o momento, classificada por ele como "legítima" e "sem excesso". Moraes também disse que as manifestantes precisam avisar o poder público previamente sobre os atos.

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