André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Alunos recebem aviso de cancelamento em escola onde Enem ocorre

Inep enviou mensagem de celular a candidatos que fazem prova em Taguatinga, no DF, e em Santarém, no PA, mas estudantes encontraram portões abertos

Fabrício de Castro e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2016 | 15h01
Atualizado 05 Novembro 2016 | 18h42

BRASÍLIA - Muita desinformação marcou o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Centro de Ensino Médio (Cemab) Ave Branca, em Taguatinga, cidade satélite de Brasília. Estudantes receberam pela manhã no celular mensagens informando que não haveria provas no local. No entanto, quando chegaram à escola, entraram normalmente. O mesmo problema aconteceu no prédio 2 da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, no Pará.

Pela lista divulgada na manhã deste sábado, 5, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pela organização do Enem, os blocos A, B e C do Cemab não teriam provas, em função de invasões de manifestantes contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos e à reforma do ensino médio.

A escola já havia sido alvo de ocupações antes, mas os manifestantes deixaram o local na última terça-feira, 1º. Neste sábado, estudantes receberam mensagens pelo celular avisando do cancelamento da prova, mas quem foi ao local a partir das 12 horas encontrou o portão aberto normalmente.

Foi o caso da estudante Rayane Elias, de 23 anos. "Recebi uma mensagem às 11 horas, no celular, dizendo que não haveria prova. Desconfiei da informação, porque sabia que o Cemab havia sido desocupado nesta semana e que o problema estava resolvido", disse Rayane.

Quando chegou à escola, ela entrou normalmente para fazer as provas. "Isso prejudica o desempenho da pessoa", afirmou a estudante, antes de entrar. "Deixa a gente nervosa."

O Estado questionou um dos organizadores da prova, que estava no portão da escola controlando a entrada de estudantes e familiares (cujo acesso também era permitido). Segundo ele, não havia nenhum problema na escola para realização das provas.

A estudante Isabela Almeida, de 18 anos, mostrava aos jornalistas na frente da escola a mensagem recebida pela manhã no celular, indicando que a prova teria sido cancelada.

"Recebi a mensagem às 11h16, mas vim para a escola confirmar", disse Isabela. "Acho que isso confunde e tenho certeza de que tem gente que não virá por causa da mensagem."

Acompanhada pela mãe, a estudante Abigail Cristina Gramajo Oliveira, de 18 anos, chegou a chorar na porta da escola por causa da falta de informação. Às 11h16, uma mensagem bateu no celular de Abigail avisando que a escola havia sido ocupada novamente e que não haveria provas. Ela e a mãe entraram em contato com o Inep e, segundo elas, o instituto orientou que, na dúvida, a estudante deveria comparecer ao local.

"Na terça-feira pela manhã, eles haviam informado que o Cemab havia sido desocupado. Fiquei aliviada", disse Abgail. "Aí chega hoje de manhã e recebo esta mensagem. É difícil, não é? É muito difícil você ficar estudando o ano todo, se esforçando para chegar aqui e cancelar. Estudar não é fácil. Temos um estresse psicológico e físico", lamentou a estudante, que presta o Enem pela terceira vez, para Arquitetura e Urbanismo.

Questionado, o Inep afirmou que houve um erro de transmissão de dados entre o consórcio aplicador das provas e o instituto. Isso teria causado o suposto cancelamento das provas no Cemab Ave Branca. De acordo com o Inep, porém, os estudantes que eventualmente não foram fazer as provas, por causa das mensagens erradas, poderão realizar os testes normalmente em 3 e 4 de dezembro.

Atraso. O estudante Cláudio José, que faria provas no bloco C do Cemab, disse não ter recebido mensagem acusando o cancelamento, mas chegou atrasado ao local. O portão já estava fechado. Agora, ele espera poder fazer os testes em dezembro.

"O melhor era eu ter chegado cedo, para entrar. Mas, se eu puder fazer a prova em dezembro, vai ser bom", disse. 

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