Estudantes que ocupam reitoria da USP decidem permanecer no prédio

Justiça deu 24 horas para que eles saiam; caso prazo seja ultrapassado, uso de força policial está autorizado

Bruno Paes Manso e William Cardoso, de O Estado de S. Paulo,

04 Novembro 2011 | 00h11

A Justiça concedeu na quinta-feira, 3, uma liminar determinando a desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) e a reintegração de posse em um prazo de 24 horas. Cerca de 300 estudantes que invadiram na terça-feira a Reitoria se reuniram em assembleia e decidiram por aclamação, às 23h de quinta-feira, manter a ocupação. O prazo começa a valer a partir da data de entrega do documento aos estudantes.

Eles também resolveram transferir para a Reitoria, na quinta-feira, uma festa de alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) que estava previamente agendada, o que indica que pretendem ficar no prédio por um bom tempo. Hoje os manifestantes esperam a chegada de uma caravana de universitários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para reforçar o protesto.

A ordem para a desocupação da Reitoria foi dada pela juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9.ª Vara da Fazenda Pública Central. A liminar determina também que a desocupação seja realizada sem violência. Deve incluir participação de representante dos ocupantes e outro da Reitoria.

Caso seja ultrapassado o prazo de 24 horas para negociações, foi autorizado pela Justiça o uso da força policial. “Como medida extrema, contando com o bom senso das partes e o empenho da melhoria das condições de vida no câmpus”, explicou a juíza.

Inquéritos. A Polícia Civil abriu dois inquéritos contra os estudantes. O primeiro por danos ao patrimônio público, por causa das seis viaturas depredadas durante a prisão dos três estudantes com maconha, na semana passada, que desencadeou todo o protesto. Esse inquérito também apura suposta formação de quadrilha e resistência à prisão dos estudantes. Um segundo inquérito foi aberto para apurar os danos ao prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), invadido na quinta-feira da semana passada e desocupado na quinta-feira.

A polícia já teve acesso à planta da Reitoria da USP e tem planos para a reintegração de posse, caso necessário. “Já começamos a estudar, mas também queremos que a saída dos estudantes seja a menos traumática possível”, diz o coronel Marcos Chaves, comandante do Policiamento da Capital. “Mas se não houver acordo, teremos de cumprir nosso dever legal.”

Divisão. A ocupação da Reitoria ocorreu após assembleia definir a desocupação da FFLCH. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP criticou a ocupação na quinta-feira. “Infelizmente, setor minoritário do movimento, derrotado na votação, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a Reitoria”, disse, em nota. O DCE afirma, porém, que não concorda com a reintegração.

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