Estudantes protestam contra adiamento da prova em RJ e PE

Estudantes de cursos pré-vestibulares fizeram manifestação, no Centro do Rio, para protestar contra o que chamaram de desorganização do Ministério da Educação. Eles reclamavam principalmente da fragilidade do sistema de segurança da instituição, o que resultou no vazamento da prova do Enem.   Veja também: Professores recomendam estudar; tire suas dúvidas sobre Enem  Prova vaza e MEC decide cancelar o Enem  Na web, alunos lamentam e festejam cancelamento do Enem  TV Estadão: Ministro da Educação fala sobre vazamento   Um grupo de 150 alunos se concentrou nas escadarias da Câmara Municipal, na Cinelândia, e seguiu até a sede do Ministério. "Esse cancelamento atrapalhou todo o nosso planejamento", afirmou o estudante Bernardo Ainbinder, 18 anos, um dos organizadores do protesto. Ele foi recebido por representantes do MEC e cobrou: "Queremos que o caso seja apurado, o culpado punido e apresentado publicamente", disse. Alice Turnbull, 19, destacou ainda a dificuldade que estudantes de outros Estados que vieram para o Rio terão, agora que as provas foram adiadas.   "Nossa sala tem várias pessoas de outras cidades e outros Estados. Estavam aqui só para fazer o exame", reclamou Alice. "Acho um absurdo permitirem esse vazamento. Faltou competência e se permitiu um enorme desperdício de dinheiro público", acusou a estudante.   O grupo marcou nova manifestação para esta sexta-feira, 2, na Praia de Copacabana. A concentração será no Posto Seis. Os estudantes disseram vão estar vestidos de preto e seguirão até o Copacabana Palace, onde está montado um palco para comemorações caso o Rio seja escolhido a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.   Recife   Com apitos e nariz de palhaço, cerca de 300 vestibulandos de cursinhos e colégios particulares do Recife demonstraram sua indignação diante do vazamento do conteúdo das provas do Enem e seu consequente cancelamento, em um protesto na praia de Boa Viagem, zona sul da cidade.    Durante duas horas, no início da tarde, eles fizeram um trajeto de cerca de duzentos quilômetros, entre as ruas Antonio Falcão e Félix de Brito, indo e voltando, pelo calçadão da praia de Boa Viagem, e gritando slogans a exemplo de "Au, au, au, vexame nacional". Quando os semáforos fechavam, nas esquinas destas ruas, eles tomavam conta da pista com cartazes que diziam "Enem aí", "Enem é palhaçada", "Nós somos cobaias", "Enem é prova de incompetência", "Estudante é palhaço".   "Depois do que aconteceu, como vamos poder confiar que a fraude não vai se repetir?", indagou, revoltada, Júlia Torreão da Fonseca, 18 anos, que vai fazer vestibular para Ciências Políticas e Economia. "O sistema perdeu a credibilidade", reforçou Rafaela Calheiros, 17 anos, que se preparou para o vestibular de Química Industrial. Elas estudam no colégio Atual, que organizou o protesto.    Os estudantes tiveram o apoio de grande parte dos professores quando expuseram o desejo de manifestar sua indignação. Informaram alunos de outros colégios e cursos e rapidamente se mobilizaram. "Não podíamos deixar passar em branco, mesmo que não dê em nada", observou Rafaela. "É uma forma de mostrarmos que não aceitamos tudo que eles querem".   Uma das organizadoras da manifestação, Ingrid Braz, que irá disputar uma vaga no curso de Direito, frisou não ser contra o Enem, mas contra a imposição do Enem. "Esta foi a segunda falha do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep)", observou. "A primeira foi quando, em abril, impuseram o Enem como prova de vestibular". Estudante do terceiro ano do Colégio São Luiz, Vítor Veloso dos Santos, que pretende cursar História, não estava no protesto, mas compartilhou a sensação de incerteza.   "É uma história tão estapafúrdia que é difícil acreditar que seja verdade", disse ele, ao contar que depois da "imposição" do Enem como prova de vestibular, em abril, o colégio aumentou a carga horária e promoveu horas extras para adaptar o conteúdo. "Agora tudo foi para o ar", afirmou, revoltado.   Em Pernambuco, o cancelamento das provas atingiu 231 mil estudantes. As provas do Enem se encontravam no Estado desde o dia 24. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) adotou as provas como a primeira fase do concurso. Como esta fase não é eliminatória, de acordo com o reitor Amaro Lins, não haverá modificação do calendário da segunda fase, composta de provas específicas. Dessa forma, os vestibulandos da UFPE poderão fazer os testes da segunda fase antes da nova prova do Enem, dependendo da nova data a ser marcada.   Em Pernambuco, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade do Vale do São Francisco adotaram integralmente o Enem como a prova dos seus vestibulares.  

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