JF DIORIO /ESTADÃO
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Estudantes prometem sair de escolas ocupadas no Estado de São Paulo

Em nota em rede social, movimento anuncia que é hora de mudar de tática; saída das unidades deve ocorrer entre sexta e segunda

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2015 | 10h11

Atualizada às 20h38

SÃO PAULO - Os estudantes que ainda ocupam 52 escolas estaduais no Estado prometem deixar todos os prédios até segunda-feira. Trinta e oito dias depois da tomada da primeira unidade em protesto contra a reorganização da rede proposta pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), o Comando das Escolas Ocupadas afirma que as invasões “cumpriram sua função”. Um ato, porém, foi marcado pelos alunos para segunda, no vão-livre do Masp, na Paulista.

Embora a reorganização da rede estadual já tivesse sido suspensa por Alckmin em novembro, parte dos estudantes decidiu continuar nas ocupações. Eles querem que o Estado desista da medida - o governador diz que haverá discussão da reestruturação “escola por escola” no próximo ano. O número de unidades tomadas, porém, vem caindo desde então - eram 196 no auge das manifestações. 

“O conjunto das nossas reivindicações não foi atendido e não cederemos até que seja. Analisamos, porém que as ocupações já cumpriram sua função e que é hora de mudar de tática. Reiteramos ainda que as ocupações em si não são o movimento secundarista, mas uma das táticas utilizadas por este”, escreve o Comando das Escolas Ocupadas, grupo formado por alunos de diversas invasões e que se diz “único porta-voz do movimento”. 

Desgaste. Desde que a reorganização foi revogada, houve desgaste entre os estudantes e os movimentos sociais. Após o recuo do governo estadual, entidades como o sindicato dos professores do Estado, a Apeoesp, defendiam a saída das escolas ocupadas. Unidades que tiveram apoio de movimentos ligados a partidos políticos, como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e seus braços estadual (Upes) e municipal (Umes), além do Juntos (juventude estudantil ligada ao PSOL), também começaram a ser esvaziadas. 

A estratégia é começar a deixar os prédios a partir de meio-dia desta sexta, até a próxima segunda. A decisão final, no entanto, caberá a cada colégio. 

Apesar da orientação geral, na Escola Estadual Ciridião Buarque, na Lapa, zona oeste da capital, por exemplo, os alunos devem fazer assembleia para votar a desocupação, ação que deve ocorrer em outras unidades.

Calendário. Enquanto os colégios seguem ocupados, as diretorias de ensino e a Secretaria Estadual da Educação adotaram estratégias diversas para que toda a rede conseguisse finalizar o ano letivo. Em ao menos dois colégios os alunos estão usando espaços “emprestados” para terminar o ano, como mostrou nesta quinta-feira o Estado. Parte das unidades terá de estender as aulas até janeiro de 2016, para que os alunos concluam os trabalhos.

Goiás. Os estudantes ampliaram nesta quinta a ocupação de escolas no Estado de Goiás, em protesto contra projeto do governo estadual de transferir a gestão de unidades para Organizações Sociais (OSs). Segundo o Movimento Secundarista Goiano, estão ocupadas 21 escolas no Estado - 12 em Goiânia, 6 em Anápolis, 2 em Aparecida de Goiânia e 1 na cidade de Goiás.

Alunos que ocupam o Colégio Estadual Frei João Batista, em Anápolis, denunciaram o corte no fornecimento de água. A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte informou desconhecer a denúncia. Para ela, os protestos são injustificáveis e políticos. “A pasta sempre esteve aberta ao diálogo.” / JOSÉ MARIA TOMAZELA

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