Estudantes poderão concorrer a mais vagas com Enem

Para garantir a entrada na universidade, candidatos apostam em instituições que adotaram o exame

Mariana Mandelli,

28 Setembro 2009 | 12h27

As mudanças na edição 2009 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aumentaram as chances dos vestibulandos conseguirem uma vaga no ensino superior. Como cerca de 20 federais adotaram o Enem no lugar de seu vestibular ou como primeira fase do processo de seleção, estudantes que disputariam apenas as vagas das universidades localizadas no Estado onde moram agora planejam tentar outras instituições. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, o novo Enem  foi pensado justamente para  permitir que o aluno concorra a muitas universidades sem precisar se deslocar geograficamente. "Não só tínhamos essa ideia em mente como ela era um dos elementos fundamentais para as alterações no exame", explica     Leia mais: Alunos se organizam para chegar ao local de prova do Enem Governo admite que houve erro na distribuição dos endereços para os alunos fazerem as provas Estudantes terão que se deslocar por até 50 km, dentro da mesma cidade, para fazer o exame Os vestibulandos dos cursos mais concorridos, como Medicina, estão apostando no Enem para aumentar as chances de ingressar na faculdade. Isabella Salgado, de 17 anos, aluna do Colégio Objetivo de São Paulo, vai usar sua nota do exame para tentar as federais cariocas (Unirio, UFRJ e UFF). "Vou tentar as públicas aqui também, mas espero que minha nota garanta outras vagas."   Sua colega Ana Vitória Botinno, de 17 anos, também ficou motivada a tentar outros vestibulares além da Fuvest (USP), Vunesp (Unesp) e Comvest (Unicamp). "Se não fosse o Enem, não prestaria federais fora do Estado."   Os estudantes que antes se deparavam com datas coincidentes de determinados vestibulares agora podem utilizar o Enem para concorrer a universidades que, antes, não faziam parte do leque de opções possíveis. "A lógica da mudança era eliminar as restrições físicas do candidato, já que, obviamente, não dá para ele estar em dois lugares ao mesmo tempo", afirma Reynaldo.   A vestibulanda Paula Vieira, de 17 anos, vai aproveitar o Enem para economizar com viagens e inscrições. "Muitas datas de vestibulares ‘batem’", explica. "Com uma só prova, posso tentar cinco cursos em vários estados." Paulitana, ela tem interesse em estudar em federais no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Paraná.   Migração Com a adesão de universidades federais de diversos estados ao novo Enem, o Inep espera que o exame aumente a mobilidade dos estudantes entre as regiões do Brasil. "Em países como os Estados Unidos, a migração interna de universitários chega a 20%", explica o presidente do instituto. "No Brasil, apenas  0,04% mudam de estado para estudar. Esperamos que um paulista possa tentar uma vaga na Bahia e vice-e-versa, mesmo que essa ideia leve tempo para se fortelecer entre os jovens."   José Guilherme Leite, de 18 anos, aluno do Colégio Santo Américo, em São Paulo, quer morar sozinho e vai tentar uma vaga em Engenharia de Produção em federais no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, com a ajuda do Enem. "Apesar do custo de morar fora, acho que é importante para a formação do caráter", anima-se.

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