Reprodução/Facebook/CASS PUC-SP
Reprodução/Facebook/CASS PUC-SP

Estudantes ocupam prédios da PUC-SP e pedem contratação de professora negra

Atividades acadêmicas e administrativas no campus Monte Alegre foram suspensas; alunos também defendem a inclusão da disciplina 'Gênero, Raça e Etnia' no currículo obrigatório do curso de Serviço Social

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 11h13

SÃO PAULO - Estudantes ocupam desde terça-feira, 22, parte do campus Monte Alegre da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, na zona oeste da cidade de São Paulo. Nesta quarta-feira, 23, um segundo prédio da mesma unidade foi tomado pelos alunos, ligados ao curso de Serviço Social, que reivindicam a inclusão da disciplina "Gênero, Raça e Etnia" na grade obrigatória e a contratação definitiva da professora substituta Marcia Campos Eurico, que é negra e tem contrato temporário com a instituição.

Pela manhã, a universidade anunciou a suspensão de todas as atividades acadêmicas e administrativas do campus. O Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC São Paulo afirma que a contratação definitiva de Marcia seria uma forma de garantir diversidade racial dentro do curso e reverter o "racismo institucional". Segundo o texto, divulgado nas redes sociais, a docente é a primeira mulher negra a lecionar na graduação em Serviço Social.

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"Pontuamos, a importância da discussão acerca das temáticas de gênero e raça/etnia como elementos transversais da formação profissional e não somente como eixos opcionais e complementares da questão de classe, como o corpo docente vem pontuando. A discussão de gênero, raça e etnia é essencial para nossa formação profissional, uma vez que essas questões perpassam a nossa categoria, publico usuário e a sociedade como um todo", divulgou o Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC São Paulo (CASS PUC-SP).

Nas redes sociais, estudantes reivindicam a permanência da professora com a hashtag "MarciaFica". Com o mesmo nome, o abaixo-assinado virtual "#MARCIAFICA" foi criado há cinco dias e teve 1.656 assinaturas até as 10 horas desta quarta-feira. O texto está em nome dos "Pesquisadoras(es) Profissionais Docentes em Serviço Social".

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Universidade. Por meio de nota, a reitoria da PUC-SP afirmou reconhecer a "relevância das demandas dos alunos do curso de Serviço Social, que incorporam questões acerca da temática racial na Universidade". Segundo o texto, a universidade está elaborando uma "política de cotas étnico-raciais" para a contratação de docentes, que deve ser discutida dentro da comunidade acadêmica em 2018.

"A reitoria reafirma sua disposição em manter o diálogo com os estudantes acerca de suas demandas e reitera a necessidade de que a Universidade retome seu funcionamento normal, uma vez que questões estruturais relativas ao tema continuarão sendo tratadas e implementadas em âmbito institucional", acrescentou. 

Segundo a pró-reitoria de Pós-Graduação da PUC-SP, os processos seletivos e entrevistas que seriam realizados na quarta-feira para os programas de pós-graduação serão remarcados. 

No início da tarde, o Estado pediu para visitar a ocupação, mas não foi autorizado. Segundo estudantes que se identificaram como apoiadores da ocupação, o grupo optou por se manifestar apenas por meio de notas divulgadas nas redes sociais. 

Professora. Nesta sexta-feira, 25, Marcia Campos Eurico defenderá sua tese de doutorado em Serviço Social, cursado na PUC-SP. O estudo é intitulado "Preta, preta, pretinha: o racismo institucional no cotidiano de crianças e adolescentes negras(os) acolhidos(as)". Além do cargo temporário na PUC-SP, é professora na Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS) e tem como principais áreas de estudo "raça/etnia", "adoção inter-racial", "gênero", "saúde da população negra" e "racismo institucional".

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