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Estudantes ocupam mais três escolas da rede estadual no Rio

Alunos reclamam de falta de condições de funcionamento da unidade e apoiam a greve dos professores

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2016 | 16h22

RIO - Estudantes ocuparam na manhã desta segunda-feira, 4, mais três escolas da rede estadual do Rio. Ao todo, cinco unidades de ensino foram tomadas pelos alunos no Estado nas últimas duas semanas. O movimento estudantil ainda tentou invadir mais três escolas fora da capital, nos municípios de Araruama (Região dos Lagos), Duque de Caxias e Nilópolis (ambos na Baixada Fluminense), mas os diretores conseguiram impedi-los.

A primeira ocupação desta segunda ocorreu no começo da manhã no Colégio Estadual Heitor Lira, na Penha, bairro da zona norte. Nas redes sociais, os estudantes reclamaram de falta de condições de funcionamento e anunciaram apoio à greve dos professores, iniciada em 1º de março passado. Eles publicaram fotografias de faixas afixadas nos muros da escola anunciando a ocupação.

Os alunos do Colégio Heitor Lira já haviam feito uma manifestação no dia em que os professores entraram em greve. Na ocasião, confeccionaram cartazes que cobravam investimentos do governo estadual em educação. "Não estamos só pelos alunos, mas sim pelos professores”, dizia um cartaz.

O Colégio Estadual Visconde de Cairu, no Méier, zona norte, também foi ocupado por estudantes, que colocaram uma faixa com os dizeres “Cairu ocupado” na frente do prédio. A terceira unidade tomada por alunos foi o Colégio Estadual Euclydes Paulo da Silva, em Maricá, cidade na Região Metropolitana.

O movimento tentou ainda a ocupação do Ciep Brizolão 460 Thiophyla Bragança, em Araruama, e dos colégios estaduais Euclides da Cunha, em Duque de Caxias, e Nuta Bartlet James, em Nilópolis. “A ocupação é meio complicadapor causa da repressão no Rio”, afirmou João Victor da Silva, de 19 anos, aluno do 3° ano do ensino médio no Colégio Prefeito Mendes de Moraes, o primeiro a ser ocupado, em 21 de março.

A pauta de reivindicações foi unificada pelos estudantes das escolas ocupadas. “Estamos fazendo tudo em conjunto. Criamos uma comissão com um representante de cada escola para negociar com a Secretaria de Educação. É uma espécie de comando de ocupação”, disse Silva.

As principais demandas estudantis são mudanças no currículo e o fim do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj), realizado anualmente. Os alunos também reclamam de cortes de verbas para a educação, da superlotação das salas de aula e da falta de professores.

Nas redes sociais, os estudantes pedem doações de alimentos e produtos de limpeza para se manterem nas escolas ocupadas. Eles têm o apoio de entidades como o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) e da Associação Nacional dos Estudantes Livre! (Anel), criada como oposição à União Nacional dos Estudantes (UNE) e formada, majoritariamente, por partidários do PSTU. “A organização é dos estudantes, mas o sindicato avalia que este é um processo importantíssimo para eles, que fazem reivindicações legítimas por mais verbas e mais tempo para disciplinas como filosofia e sociologia", disse a coordenadora do Sepe, Susana Gutierrez.

A Secretaria de Educação informou que o secretário Antônio Neto “já mostrou em quais pontos pode avançar”. Ele recebeu os estudantes na terça-feira passada e argumentou que há discussão nacional em andamento sobre o currículo escolar e que já foram contratados, desde 2007, 71 mil professores concursados. “A secretaria, no entanto, não vê nos líderes do movimento intenção em desocupar as unidades, pois há envolvidos que sequer fazem parte da comunidade escolar. Diante da intransigência, a secretaria apela aos pais para que conversem com seus filhos, uma vez que são os estudantes sem aulas os mais prejudicados”, diz a secretaria em nota.

Na semana passada, o secretário pediu a reintegração de posse das escolas à Justiça. No entanto, o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), afirmou que a polícia não entrará em escolas enquanto estiver à frente da administração estadual. Dornelles ocupa o cargo durante os 30 dias de licença médica do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

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