DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

Estudantes ocupam escolas contra mudança de gestão em Goiás

Governo pretende transferir para organizações sociais a gestão da rede de ensino do Estado; alunos falam em terceirização de escolas

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2015 | 18h04

SOROCABA - Estudantes ocuparam três escolas estaduais em Goiânia contra o projeto do governo de Goiás de transferir para organizações sociais a gestão da rede de ensino do Estado. Na manhã desta sexta-feira, 11, um grupo de 100 alunos tomou o Colégio Estadual Lyceu de Goiânia, na região central da capital. As aulas foram suspensas. 

"Queremos que o governo volte atrás na terceirização das escolas", disse, por telefone, Elizeu Maurício, um dos ocupantes. Segundo ele, os alunos se inspiraram na mobilização de estudantes de São Paulo contra a reorganização proposta pelo governo paulista. "Temos o apoio do pessoal de São Paulo".

Na quinta-feira, os alunos já haviam ocupado o Colégio Estadual Robinho Martins de Azevedo, no Setor Jardim Esperança. No dia anterior, os estudantes tomaram o Colégio Estadual Professor José Carlos de Almeida, no Setor Central. Em nota, a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) afirmou que sempre esteve aberta ao diálogo, por isso "entende que esse movimento de ocupação das escolas é extemporâneo, injustificável e desnecessário".

A secretária Raquel Teixeira disse ter a convicção de que o modelo será uma iniciativa inovadora, que tornará o sistema mais eficiente e fará avançar a qualidade da educação pública no Estado. "Nosso projeto de gestão compartilhada é único e vai garantir que professores e diretores se dediquem exclusivamente ao ensino e aos alunos. As escolas vão permanecer 100% públicas e gratuitas, os professores efetivos terão todos os direitos assegurados e os recursos aplicados serão os mesmos", disse.

O novo modelo de gestão vai começar com um projeto piloto em 23 escolas da região de Anápolis, próxima da capital. Na terça-feira, 8, o governador Marconi Perillo (PSDB) publicou despacho autorizando a Secretaria a formalizar a parceria que transfere a gestão das escolas para as organizações sociais - a parte pedagógica continuaria sob responsabilidade do Estado. O chamamento às entidades será publicado na próxima semana.

A mobilização dos estudantes é apoiada pelo Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro GO) que divulgou nota qualificando o projeto do governo como "açodado e indiscutido, verdadeira terceirização de atividade fim", que seria vedada pela Constituição. De acordo com o sindicato, o projeto não foi discutido com as partes mais interessadas - alunos, professores e a sociedade. Ainda conforme o sindicato, o projeto "conduz a educação pública ao propositado descrédito, em benefício da iniciativa privada".

Já a secretária disse que o foco principal do projeto é o direito de aprender do aluno e que a parceria não afetará a autonomia do diretor da escola e do conselho escolar. Segundo ela, as escolas terão metas e ao final de 2016, os resultados daquelas que receberem o projeto piloto serão comparados com as que ficaram de fora. Com base nos resultados, outras escolas serão repassadas às organizações sociais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.