Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Estudantes ocupam 1ª escola da capital contra MP do ensino médio

Segundo a PM, grupo de alunos entrou na Escola Estadual Caetano de Campos, no centro de São Paulo, na noite desta sexta, 7

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2016 | 11h27

SÃO PAULO - Estudantes ocuparam a Escola Estadual Caetano de Campos, na Praça Roosevelt, região central de São Paulo, na noite desta sexta-feira, 7, contra a medida provisória que reforma o ensino médio no País e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria um teto de crescimento para os gastos públicos, propostas pelo governo Michel Temer. O colégio é o primeiro da capital a ser ocupado pelos alunos. Procurado, o ministro da Educação, Mendonça Filho, não quis se manifestar.

Para entrar na Caetano, os estudantes pularam o muro por volta das 23h30. Antes, o grupo havia tentado negociar com o caseiro da escola a entrega da chave do portão, mas não tiveram sucesso. “Não entrou mais gente porque a polícia nos cercou”, disse uma aluna da escola, de 16 anos, que não quis se identificar. Não houve confronto.

Até as 14h30, o ato seguia pacífico e PMs faziam ronda na região. A Polícia Civil também vai investigar se o caseiro é mantido de refém na escola. Os estudantes alegam que ele permanece na Caetano por vontade própria e que pode "entrar e sair na hora que quiser".  

Por volta das 14h, um delegado e um investigador do 78.º Distrito Policial (Jardins) também foram até o local para colher informações e registrar o boletim de ocorrência da invasão. Os policiais se comunicaram com os estudantes através do portão, trancado com corrente e cadeado.

"Você de novo, menina? Isso porque tem 15 anos, hein", afirmou um dos agentes a uma aluna que estava com o rosto escondido por uma camisa. "Não adianta cobrir o rosto, eu sei quem você é." Questionados, os estudantes falaram que estavam "lutando pela educação" e eram contra a reforma do ensino médio. Os manifestantes não informaram aos policiais quantas pessoas estavam na escola. "O suficiente para manter a ocupação", respondeu um deles.

A maior parte dos alunos também participou das ocupações em 2015, que provocaram o recuo da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) sobre o fechamento de unidades da rede estadual de ensino. Em relação à reforma do ensino médio, os estudantes criticaram a possível retirada de disciplinas como Artes, Educação Física e Filosofia. “A gente não quer aprender a obedecer, queremos aprender a pensar”, afirmou um estudante que se identificou como Billy. "Com apoio popular, conseguimos desconstruir qualquer lei injusta."

Apoio. O portão foi aberto várias vezes ao longo do dia, para receber pessoas que chegavam com alimentos e produtos de higiene doados. A eles, os alunos também pediam que levassem água, pois temem o corte no abastecimento na unidade. Entre os apoiadores, há estudantes universitários e professores da rede pública de ensino.

"Eu apoio os estudantes, mas acho que essa ocupação foi um pouco precipitada, porque a MP ainda vai ser discutida com pais e profissionais", disse a professora de Ciências Sociais, Luciana Pereira, que levou macarrão, café e outros mantimentos para os alunos. "Também sou contra tirar do currículo disciplinas que formam o pensamento crítico, como Sociologia, ou Educação Física, em um País de obesos."

Os alunos afirmam que decidiram em assembleia que não vão aceitar apoio de partido político e movimento estudantil. Eles dizem que há possibilidade de outras invasões ocorrerem. "Se for vontade da maioria, vamos ocupar outras escolas", afirmou Billy. Os alunos também organizaram uma festa, com apresentação de punk rock, às 19h, para arrecadar mantimentos para a ocupação. 

 

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