Leonardo Benassatto/Futura Press
Leonardo Benassatto/Futura Press

Estudantes invadem de novo Escola Estadual Fernão Dias

Alunos tomam colégio em Pinheiros símbolo de ocupações no fim do ano passado em apoio a colegas do Centro Paula Souza

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2016 | 14h01

SÃO PAULO - Estudantes voltaram a ocupar a Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, zona oeste da capital, na madrugada de sábado (30). Por 55 dias, entre novembro do ano passado e janeiro, o colégio foi símbolo das invasões contra a reorganização escolar que previa o fechamento de 93 unidades. Agora, eles dizem que a ação acontece em apoio à ocupação do Centro Paula Souza, responsável pelas escolas técnicas. Em Itu, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) criticou o movimento e afirmou que “há invasão seletiva”.

A sede do Centro Paula Souza, no centro, foi invadida na quinta-feira por cerca de 150 estudantes. Eles protestam contra a falta de merenda em unidades da rede. Anteontem, a direção do órgão informou que 11 escolas receberiam merenda seca – bolachas, barras de cereal e suco. Os estudantes, porém, mantêm a invasão. Na Fernão Dias, os alunos ficarão no local ao menos até amanhã, quando farão uma assembleia.

A invasão da escola de Pinheiros aconteceu por volta das 3 horas, quando cerca de 15 jovens arrombaram com uma barra de ferro o cadeado do portão dos fundos, na Rua Antônio Bicudo. Acionados por moradores da região, policiais militares foram ao local meia hora depois e tentaram convencer os estudantes a deixar o local.

Na tarde de sábado já havia cerca de 80 secundaristas na unidade e a adesão crescia ao longo do dia com a divulgação da ocupação em redes sociais. Os jovens chegavam e pulavam o portão da frente, na Rua Pedroso de Morais. “Essa ocupação é contra a falta de merenda e a precarização da educação. Estamos juntos com o pessoal do Paula Souza”, disse a estudante Laura Santos, de 15 anos, que estuda no Rio Pequeno, zona oeste. Às 15 horas, os jovens serraram o cadeado do portão principal.

“A Fernão Dias virou símbolo da nossa luta porque fica em uma região mais nobre da cidade e a mídia acompanha. Ocupar aqui vai trazer mais escolas para o movimento”, disse Jacqueline Castro, de 17 anos, de uma escola na Vila Madalena, zona oeste.

Os secundaristas dizem estar em contato, por meio de redes sociais e aplicativos, com estudantes de escolas ocupadas no Rio e Ceará. “Certamente vai ser uma mobilização maior do que a do ano passado. A ideia é fazer uma greve geral nacional”, disse Camilla Rodrigues, de 15 anos, aluna da Fernão Dias. “A gente espera muito que, depois da ocupação da Fernão, se desencadeie uma onda de ocupações nas escolas”, disse Beatriz Calderon, de 16 anos, que está na sede do Centro Paula Souza.

Ajuda. As faixas penduradas no portão dizendo "Escola ocupada" e "Cadê a merenda?" chamaram a atenção de pedestres que passavam pelo local. Alguns chamaram os alunos de "vagabundos", mas outros ofereceram ajuda com doação de alimentos e produtos de higiene pessoal.

"Além do apoio político, eles precisam de apoio material para manter a ocupação e reivindicar melhoria na educação de forma legítima", disse Maria Rehder, de 35 anos, coordenadora de projetos na Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Ela gastou cerca de R$ 80 com marmitas para os secundaristas e pediu ajuda a uma rede de colaboradores. 

Mães e pais de alguns alunos também apareceram ao longo do dia oferencendo alimentos e produtos de higiene pessoal. "Eles estão todos unidos contra a precarização da Educação. Nós mães temos que apoiar e também queremos que se investigue para onde foi o dinheiro desviado da merenda", disse Ana, mãe de um aluno da Fernão que pediu para não divulgar o sobrenome, em referência à máfia da merenda investigada pela Operação Alba Branca, da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.

No início da tarde, o dirigente regional de ensino Nonato Miranda, da Secretaria Estadual da Educação, conversou com alguns estudantes em frente ao Fernão, mas disse que eles apresentaram uma pauta genérica de reivindicações que não tem relação com a unidade ocupada na zona oeste.

Outro lado. Em nota, Secretaria da Educação do Estado disse que "não falta merenda nas escolas da rede estadual de ensino" e que "investir em educação é compromisso do governo do Estado, que aplica 30% de seu orçamento na área".

Sobre a Operação Alba Branca, afirmou, "a secretaria reitera que é vítima e está colaborando com as investigações iniciadas pelo próprio governo do Estado com a Polícia Civil, Corregedoria Geral da Administração e Ministério Público".

A pasta afirmou ainda que "não há qualquer processo de reorganização em curso e nenhuma escola foi fechada ou desativada neste ano".

"Cabe esclarecer que no início de cada ano letivo ocorre a movimentação e o acomodamento de turmas, sempre de acordo com o número de alunos matriculados em cada escola e obedecendo as normas estabelecidas pela Secretaria da Educação do Estado, que determina 30 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, 35 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 40 alunos no ensino médio. O número de alunos matriculados pode sofrer variações ao longo do ano", completou.

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