Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Estudantes protestam contra mudanças na rede de ensino de SP

Pela manhã, eles bloquearam a Paulista; depois, seguiram até a Secretaria Estadual de Educação - dois homens foram presos

Isabela Palhares, Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2015 | 09h30

Atualizada às 21h09

SÃO PAULO - O medo do fechamento de algumas escolas da rede estadual de ensino paulista tem causado uma série de protestos de alunos e professores em todo o Estado de São Paulo. Ao menos 12 cidades registraram manifestações na frente das unidades, além da capital – onde um ato de estudantes e professores na Avenida Paulista terminou nesta sexta-feira, 9, com dois detidos.

O receio teve início depois de a Secretaria Estadual de Educação ter anunciado, em setembro, uma reestruturação de toda a rede, que terá unidades separadas em três ciclos – ensino médio, anos finais (6.º ao 9.º) e anos iniciais (1.º ao 5.º) do ensino fundamental. O Estado procurou a secretaria estadual, que, até as 21h, não havia respondido se a mudança provocará o fechamento de unidades. Já a Apeoesp, maior sindicato de professores de São Paulo, divulgou uma lista que aponta o fechamento de ao menos 155 colégios no Estado. 

O ato realizado na Avenida Paulista bloqueou todas as faixas da via. Dois homens – um professor que não teve o nome divulgado e o jornalista freelancer Caio Castor – foram detidos durante a manifestação por desacato, mas liberados mais tarde. Segundo a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), 1 mil estudantes de 36 escolas estavam no local. 

“Somos contrários a essa medida do governo Alckmin porque não vai reorganizar, só bagunçar”, disse o representante da Umes Marcos Kauê de Queiroz, de 22 anos. “Se realmente querem mudança, deveriam começar diminuindo o número de alunos por sala, que estão lotadas.” Outras cidades, como Campinas, Jundiaí, Bauru e São Bernardo do Campo, também registraram protestos isolados.

Tensão. Na Escola Doutor Octávio Mendes, em Santana, na zona norte, a possibilidade de fechamento deixa professores e pais tensos. “Na semana que vem, vamos ter reunião de pais e não tenho o que dizer para eles porque nós também não temos certeza se a escola vai continuar aberta”, disse um funcionário, que pediu para não ser identificado.

A unidade tem 18 salas de aula, mas só sete turmas à tarde – e está na lista da Apeoesp. O mesmo ocorre com a Escola Castro Alves, na Vila Mariza Mazzei, também na zona norte, onde um grupo de pais fez um protesto no início da tarde desta sexta e iniciou um abaixo-assinado contra o fechamento. “Eu estudei aqui, meus quatro filhos estudaram a vida inteira aqui e agora querem fechar. Além de levarem nossos filhos para mais longe, ainda vão ‘entupir’ as escolas de alunos e a qualidade do ensino vai cair”, disse a secretária Roberta Garcia Felipe, que tem filhos no 5.º, 6.º e 8.º anos. 

Para o especialista em Educação da Ação Educativa Roberto Catelli Junior, a reestruturação é de caráter econômico. "Não existe nada do ponto de vista pedagógico que diga que a escola focada neste ou naquele nível forneça um ganho no ensino. Seria melhor diminuir o número de alunos por sala, por exemplo. Estão apostando mais na eficiência econômica do que na qualidade da educação.”

Para o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, faltou diálogo com a comunidade. “Não deveria ser tudo feito em uma cartada só. Deveriam implementar aos poucos.”

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