WERTHER SANTANA|ESTADÃO
WERTHER SANTANA|ESTADÃO

Estudantes e funcionários fazem 'trancaço' na USP

Ato contraria decisão da Justiça que proibiu o fechamento de acessos à universidade, sob pena de multa diária de R$ 10 mil

Mariana Diegas, O Estado de S. Paulo

09 Junho 2016 | 07h45

SÃO PAULO - Um grupo de estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) bloqueou na manhã desta quinta-feira, 9, todos os portões de acesso à Cidade Universitária, no Butantã, na zona oeste da capital paulista. O protesto contrariou uma decisão judicial que a universidade conseguiu que proibia o "trancaço" em seus câmpus. A decisão judicial estabeleceu multa diária de R$ 10 mil para o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e o o Diretório Central dos Estudantes Livres (DCE-USP).

Contrariando a decisão judicial, o grupo manteve o "trancaço" que havia sido deliberado em assembleia. O protesto teve início às 5h desta quinta-feira e foi encerrado por volta do meio dia, quando a passagem foi liberado pelos manifestantes. O ato foi pacífico.

Estudantes e funcionários exigem que o reitor da universidade, Marco Antonio Zago, negocie a adoção de cotas raciais e sociais, política de permanência estudantil na instituição, o reajuste salarial de professores e funcionários, não corte o ponto dos grevistas e evite o que chamam de "desmonte da universidade". 

Trânsito. As vias no entorno da universidade têm tráfego lento, principalmente porque ônibus que passam por dentro do câmpus são impedidos de seguir viagem. Os veículos estão retidos na Avenida Afrânio Peixoto, e os reflexos chegam às Avenidas Corifeu de Azevedo Marques e Escola Politécnica. Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) organizam o trânsito no local.

Crítica. Em nota, a Reitoria da USP disse que o protesto foi uma "truculência" e é "inadmissível". "Esse tipo de atitude agride não apenas o direito de ir e vir. Agride a razão. No fundo, agride o próprio espírito que norteia a universidade como casa do saber, da convivência plural, da ciência e da paz", diz a nota. 

A Reitoria afirmou ainda que o protesto "afrontou" a decisão judicial e que, por isso, irá tomar novas medidas judiciais "a fim de garantir o retorno à normalidade da vida universitária". No entanto, não especificou quais medidas serão adotadas. 

Uriel Piffer, um dos representantes do DCE, afirmou que o diretório não se deixou "intimidar" pela decisão judicial e que o protesto foi bastante positivo para dar mais visibilidade ao movimento grevista e aos problemas que a universidade enfrenta. "Nosso protesto é legítimo e devemos ter outros 'trancaços' nas próximas semanas até que o reitor decida negociar conosco", disse.

O Estado tentou contato com Sintusp, mas ninguém foi localizado para comentar. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.