Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Estudantes devem ter cuidado na hora de escolher o curso superior

Em 2009, 29 instituições desativaram cursos ou foram descredenciadas pela baixa qualidade

Agência Brasil

01 Junho 2010 | 18h01

BRASÍLIA - Em 2009, 29 instituições tiveram de desativar cursos ou foram descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) por causa da baixa qualidade do ensino oferecido. Mais de 730 vagas de medicina e 20 mil de direito foram cortadas pelo mesmo motivo. Os números servem de alerta: é preciso tomar muito cuidado na hora de escolher um curso superior.

 

A principal recomendação para evitar dores de cabeça é checar os indicadores de qualidade. Eles são criados a partir de avaliações do MEC - a principal delas é o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que anualmente mede os conhecimentos de alunos ingressantes e concluintes de cursos de graduação. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), cabe à União "reconhecer, credenciar, supervisionar" as instituições de ensino superior, públicas ou privadas.

 

O MEC tenta facilitar o acesso da população a essas informações, mas ainda é comum se perder em meio a tantas normas jurídicas e siglas. Recentemente, entrou no ar o Cadastro das Instituições de Educação Superior. Nele, é possível consultar as instituições credenciadas pelo ministério e os seus resultados nas avaliações.

 

O presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Barone, orienta os interessados a fazer uma pesquisa que leve em conta outros fatores além dos indicadores educacionais. "É importante obter informações sobre os conceitos da instituição, a infraestrutura, o corpo docente e até mesmo a credibilidade da faculdade no meio produtivo e entre os empregadores", aconselha.

 

A secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, alerta, entretanto, que o aluno não deve dar importância exagerada para a infraestrutura. "Procure conhecer a instituição mais a fundo. Às vezes as instalações impressionam, mas é necessário ver se elas são de fato usadas no curso, quantos cursos utilizam a mesma infraestrutura e se ela é suficiente", aconselha.

 

O preço da mensalidade ainda pesa na decisão de muitos estudantes no momento da escolha do curso. Mas, para o presidente do CNE, Paulo Barone, "o conceito de qualidade" está se tornando cada vez mais importante para a população. "Aquele papel meramente cartorial, a ideia de se matricular numa faculdade só para ter um diploma, está mudando. As pessoas estão mais críticas em relação a isso", acredita.

 

A secretária Maria Paula Bucci recomenda aos universitários que recorram ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies) caso o valor da mensalidade seja acima do seu orçamento, mas nunca se deixem guiar pelo preço. "O acesso ao crédito hoje é muito grande, então, se aluno quer estudar em uma boa instituição, não importa se o preço é alto, porque ele pode pedir o financiamento", afirma.

 

Segundo a secretária, é preciso criar uma "cultura da qualidade", ainda incipiente no Brasil, em relação ao ensino superior. "A educação não representa apenas um certificado, é um processo de formação. A instituição precisa ter professores qualificados, um bom projeto pedagógico, material didático de qualidade. As pessoas têm de valorizar o aspecto de fundo da educação, que é o da formação dos alunos, do desenvolvimento deles como cidadãos", defende.

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