Estudantes de SP migram da rede estadual para a municipal

Programas sociais oferecidos pela Prefeitura de São Paulo, como o Leve-Leite e o Vai e Volta, estão fazendo com que alunos da rede estadual de ensino da capital migrem para a municipal. Na região da Vila Matilde, na zona leste paulista, por exemplo, enquanto as escolas municipais têm 30 alunos na lista de espera, as escolas da rede estadual vêm desativando salas.Desde o início do ano, duas salas de aula da escola estadual Bernardo Rodrigues Nogueira ? que atende crianças de 1ª a 4ª série ? foram transformadas em salas de leitura, jogos e uma "brinquedoteca". A escola funciona em dois períodos e tem cerca de 500 alunos matriculados. Mas os próprios funcionários da escola costumam ouvir pais relatando os benefícios das municipais."As mães citam os programas sociais oferecidos pela Prefeitura, mas isso não significa que a qualidade de ensino seja superior", diz uma funcionária. "Temos professores que trabalham nas duas redes e dizem que, nas escolas estaduais, os alunos rendem mais."Na escola municipal 19 de Novembro, a poucos metros da Bernardo Rodrigues, a situação é diferente e há até fila de espera. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a escola possui demanda preferencial, ou seja, alunos que aguardam transferência. A 19 de Novembro ? com salas de 1ª a 8ª série, além de supletivo de alfabetização ? tem cerca de 1.500 alunos.AtrativosA dona de casa Isabel Cristina Peres Pedrenho, de 38 anos, tem filhas estudando nas duas redes de ensino, mas diz que não abriria mão das escolas da Prefeitura, se pudesse. "Infelizmente, o município não oferece escolas de ensino médio", lamenta. Ela conta que sua filha mais nova, Tammy, de 12 anos, cursou até a 4ª série na Bernardo Rodrigues. No ano seguinte, Isabel decidiu transferir a filha para a 19 de Novembro. "Além de oferecer um bom ensino, há os programas sociais. É um atrativo a mais, principalmente para a população carente."Com o Leve-Leite, cada aluno recebe 2 quilos de leite em pó por mês. A Prefeitura ainda oferece uniforme, material escolar e transporte (Vai e Volta) gratuitos.A migração para as escolas municipais da região não é recente. Em 1995, a escola estadual Francisca Bueno Teixeira de Camargo, na Vila Talarico, foi desativada durante o programa de reorganização da rede. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, na época, a demanda por vagas era baixa. Todos os alunos foram transferidos para um outro colégio da região. Atualmente, o prédio abriga uma escola da PM, que é paga.No mesmo ano, a escola estadual Marcílio Gonçalves Teixeira, na Vila Manchester, também foi fechada. Em épocas de chuva, o prédio alagava. Isso teria feito com que os alunos deixassem a escola. Mas na escola municipal Guimarães Rosa, na mesma região, há cerca de 30 alunos na lista de espera.A Secretaria Estadual de Educação alega que os moradores da Vila Matilde são, em sua maioria, de 3.ª idade. Isso diminuiria a demanda das séries do ensino fundamental.

Agencia Estado,

03 de junho de 2003 | 14h47

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