Estudantes de Medicina são punidos por trote violento

Alunos da Universidade de Taubaté terão de prestar serviço comunitário e pagar multas

Alexandre Petillo, Especial para O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2009 | 19h26

Cinco estudantes acusados de liderar um trote violento no início do ano, humilhando 53 calouros do curso de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), terão de prestar serviços comunitários durante seis meses em uma entidade que cuida de idosos carentes na cidade, a 100 km de São Paulo, e pagar multas que variam de R$ 1 mil a R$ 3 mil para a mesma entidade. A punição foi decretada após uma audiência marcada pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim) e realizada no Fórum Criminal local. A pena para os estudantes foi definida após acordo entre os acusados e a promotoria. Os estudantes foram acusados de constrangimento ilegal. Dois alunos que seriam os líderes do trote foram punidos com a exigência de prestar 144 horas de serviço social. Cada um deles terá de pagar à entidade de apoio a idosos a quantia de R$ 3 mil. Outros dois acusados, que tiveram participação menor do que a dos dois primeiros, foram punidos com o pagamento de R$ 1,5 mil cada um e terão de prestar três meses de serviço social. O quinto estudante foi condenado a pagar R$ 1 mil à entidade. Os advogados pediram sigilo à Justiça no processo e por isso os nomes dos cinco universitários não foi divulgado. O processo ficou prejudicado pela omissão das próprias vítimas e dos seus parentes, que prejudicou a produção de provas. Dos 53 alunos que relataram abusos, só um levou o caso adiante. Durante o trote, os veteranos teriam cuspido no rosto dos calouros e submetido as vítimas a constrangimento sexual. Algumas vitimas  disseram ter sido obrigadas a dirigir em alta velocidade na Via Dutra e a comer pimenta, sal com alho e ração de cachorro. Outros teriam passado por sessões de depilação do corpo e sido obrigados a ficar horas ajoelhados no asfalto quente. Calouros também teriam sido levados para uma república chamada pelos veteranos de "UTI" ("Unidade de Trote Intensiva), onde tiveram de passar ovos com a boca de um para o outro. Conforme a denúncia, quem derrubasse o ovo tinha de lamber o chão e suportar diversas outras humilhações.

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