Estudantes de medicina de São José do Rio Preto organizam festa mesmo com proibição

De acordo com relatos dados à CPI que apura violência nas universidades, ingressos estão sendo vendidos dentro da faculdade

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 15h18

Alunos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), vinculada ao governo estadual, decidiram descumprir a proibição de festas com calouros determinada pela instituição. A Associação Atlética Acadêmica Euryclides Zerbini (AAAEZ), entidade estudantil, marcou, para esté sábado, 7, o evento "Churrascão da Med", que terá bebida liberada e será realizado em uma chácara, fora das dependências da faculdade.

O diretor geral da Famerp, Dulcimar Donizeti de Souza, afirmou, durante audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura violência nas universidades paulistas, que ficou sabendo da festa na terça-feira. "Nós vamos comunicar todos os meios: Polícia, Ministério Público, Corpo de Bombeiros, Prefeitura, todos os órgãos competentes, para dizer que somos contrários a esse tipo de festa e que não temos qualquer tipo de responsabilização sobre qualquer coisa que aconteça lá". 

Apesar de haver proibição formal de divulgação deste tipo de evento na faculdade, relatos de alunos que chegaram à CPI afirmam que convites para a festa estavam sendo vendidos dentro da instituição e havia até cartazes em murais. "Eu não consigo controlar aquilo que se vende dentro da escola. Mas vamos tentar apurar quem fixou o cartaz, isto está proibido", disse Souza ao Estado. A festa foi divulgada pelo Facebook da Atlética e ocorrerá um dia após o fim da semana de recepção de calouros da faculdade.
 
Restrições.  O diretor afirmou que tem sido criticado por ser "radical" nas proibições que se seguiram após denúncias de abusos em trotes e festas dos alunos. O "pedágio (arrecadação de dinheiro por calouros nas ruas) foi vetado, assim como corte de cabelo e pintura no corpo. A venda do "kit bixo" também foi probida, além das festas. As medidas foram implementadas como resposta ao caso do estudante Luiz Fernando Alves, que no ano passado abandonou o curso após sofrer ferimentos físicos e humilhações durante a Festa do Bicho, organizada por alunos. No local, segundo relatos, calouros eram obrigados a ingerir bebidas alcoólicas e comidas "mastigadas", ficar de joelho, tirar a roupa e até receberem urina no corpo. O episódio virou caso de polícia e alvo de sindicância na faculdade, que pediu a suspensão de sete alunos apontados como responsáveis pelo evento. 

Durante a CPI, estudantes também denunciaram a recepção de calouros na chamada "casinha", sede do Centro Acadêmico onde os alunos de primeiro ano seriam obrigados a simular sexo anal e terem café quente despejado no corpo seminu.

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