Marcio Dolzan/Estadão
Marcio Dolzan/Estadão

Estudantes protestam por mais de três horas contra Bolsonaro no Rio

Presidente participou de cerimônia dos 130 anos do Colégio Militar do Rio (CMRJ); protesto aconteceu nos arredores

Marcio Dolzan e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 08h48
Atualizado 07 de maio de 2019 | 12h49

RIO - Secundaristas do Colégio Pedro II lideraram nesta segunda-feira, 6, no Rio, a poucos metros do presidente Jair Bolsonaro, o primeiro ato público contra os cortes de verbas anunciados na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC). O contingenciamento atinge da educação básica ao ensino superior. Centenas de manifestantes protestaram por mais de três horas na frente do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ), onde o presidente participava da comemoração dos 130 anos da instituição. Em frente, fica uma das unidades do Pedro II. A concentração foi pacífica; não houve incidentes.

Os manifestantes foram barrados pelo esquema de segurança da Polícia do Exército, que isolou o CMRJ e só permitiu a entrada dos seus estudantes, professores, autoridades, convidados e ex-alunos. Uma ex-aluna do Colégio Militar, a estudante de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) Maria Eduarda Sá Ferreira, de 24 anos, foi quem levou o protesto para mais perto de Bolsonaro. 

Ela abordou o presidente no Colégio Militar para cobrar revisão do corte – no Pedro II, a redução será de quase 37% no custeio. “Ele não esperava”, disse a universitária, que se dirigiu a Bolsonaro para acusá-lo de ser um “inimigo da educação pública”. A abordagem foi confirmada pela assessoria do presidente, que informou que Jair Bolsonaro ficou em silêncio. A ex-aluna concluiu os estudos no CMRJ em 2013.

Manifestação

Os manifestantes ocuparam toda a Rua São Francisco Xavier, no trecho entre a Morais e Silva e a General Canabarro, na Tijuca, zona norte do Rio. O trânsito foi interrompido na região. A Polícia do Exército (PE) impediu que os manifestantes se aproximassem do muro do CMRJ.

Durante toda a manifestação, estudantes gritaram palavras de ordem como “não vai ter corte, vai ter luta” e educação “não é esmola”. O momento de maior tensão aconteceu quando Bolsonaro ficou a poucos metros de onde ocorria o protesto. Soldados do Batalhão de Choque da PE fizeram um cerco. O presidente ouviu muitas vaias dos alunos do lado de fora.

O protesto contou em sua maioria com alunos do Pedro II, mas estudantes de instituições federais e universidades também participaram. Poucos manifestantes empunhavam bandeiras de movimentos sociais, como um grupo de sem-teto. Alguns vestiam camisetas ou adesivos de “Lula Livre”, e militantes do PCO foram ao ato. 

“Como secundarista, entendo que esse corte de 30% que o governo quer impor aos institutos federais e às universidades vai nos prejudicar como um todo”, disse Matheus Corrêa, de 19 anos. Ele é aluno na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que não foi atingida pela redução no repasse de verbas.

Alunas do Colégio Militar, que comemora 130 anos, também estiveram na manifestação. Mesmo reconhecendo a importância da celebração à instituição, uma estudante de 16 anos do CMRJ preferiu protestar do lado de fora. “Não pode cortar verbas de institutos federais que são vistos muito bem internacionalmente”, disse. “Fico meio triste. Somos só nós três (do CMRJ). Eu vejo esta geração muito alienada para tudo isso que está acontecendo”, continuou, ao lado de duas colegas

 

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