Estudantes da Unifesp Guarulhos permanecem detidos

Segundo PF, alunos podem pegar até 8 anos de prisão por dano ao patrimônio e formação de quadrilha

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, do Estadão.edu, e Pedro da Rocha, do estadão.com.br,

15 Junho 2012 | 13h30

Dos 25 alunos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de Guarulhos levados ontem à noite à Superintendência da Polícia Federal, 22 permaneciam detidos na tarde desta sexta-feira, 15. Segundo a PF, perícia realizada no câmpus constatou danos ao patrimônio da universidade.

Uma nota do Departamento de Comunicação da polícia afirma que 22 estudantes foram autuados em flagrante e responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e formação de quadrilha, cujas penas somadas podem chegar a 8 anos de retenção. Os presos podem ser encaminhados para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros ainda hoje, ou ficarem retidos na carceragem da superintendência.

O grupo foi conduzido à PF por policiais militares, após um protesto realizado ao fim de assembleia estudantil. De acordo com um universitário, que preferiu não se identificar, os estudantes se concentraram em frente à sala do diretor acadêmico, Marcos Cezar de Freitas, para fazer um "ato pacífico". Freitas teria se sentido acuado e chamou os policiais. "A PM já chegou nos acuando. Quando prenderam uma menina, dando uma chave de braço, o pessoal se revoltou e aconteceu o confronto e o quebra-quebra."

A PM diz que foi acionada pela diretoria acadêmica porque os estudantes estavam depredando e pichando o câmpus. Alunos ouvidos pela reportagem negam e dizem que o quebra-quebra só começou após os policiais prenderem uma colega. Houve confronto e a polícia utilizou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

"Foi uma ação extremamente violenta", afirma uma estudante. "Os presos foram revistados na parte de trás do prédio, um lugar escuro. E os policiais esconderam a identificação."

Durante a ação policial, uma estudante detida sofreu um ferimento na perna e foi levada ao pronto-socorro da Policlínica Alvorada, em Guarulhos. Segundo uma funcionária do estabelecimento, a garota disse que uma bomba estourou perto dela. A aluna não deixou ninguém tocar na lesão, porque queria fazer exame de corpo de delito. Ela foi liberada e saiu acompanhada de policiais para depor à PF.

Os alunos de Guarulhos estão paralisados há 85 dias. No início de maio um grupo ocupou a diretoria acadêmica, mas saiu do prédio quando soube da preparação da polícia para cumprir ordem judicial de reintegração de posse. Houve nova invasão no último dia 6 e os estudantes foram retirados por PMs, agentes e delegados da PF.

Os universitários reivindicam a saída do diretor acadêmico, a construção de moradias estudantis e de um novo prédio para a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Também exigem a retirada de processos abertos contra 48 estudantes que invadiram a diretoria acadêmica em 2008, durante outra paralisação.

* Atualizada às 17h

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