Marcelo Andriotti/ESTADÃO
Marcelo Andriotti/ESTADÃO

Estudantes da Unicamp protestam contra intolerância racial

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas tem sido alvo de pichações com referências ao nazismo e a movimentos racistas

Marcelo Andriotti, Especial para O Estado

21 Março 2016 | 16h30

CAMPINAS - CAMPINAS - Casos de intolerância racial chegam até onde se espera mais respeito à diversidade e repúdio à discriminação. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem sido alvo de pichações e disseminação de teorias nazistas e referência a grupos racistas como Klu Klux Klan (KKK). 

Nesta segunda-feira, 21, cerca de 150 estudantes, professores e lideranças políticas se reuniram na universidade para protestar contra o avanço da intolerância racial no meio acadêmico e exigir providências da universidade.

O movimento iniciado pelos estudantes recebeu a adesão do Sindicato dos Funcionários da Unicamp, da Associação dos Docentes da Unicamp, do Diretório Central dos Estudantes, de movimentos sociais e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Campinas.

Entre as pichações, há referências aos ideais nazistas e divulgação de movimentos racistas, como White Power. Cartazes sobre realizações de atos contra o racismo também foram alvos de comentários. Em um deles havia a inscrição: “vamos nos unir e fazer pneus deles, vai dar (sic) pneus bons”.

Segundo Teófilo Reis, do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp e da associação de funcionários, as pichações do IFCH não são casos isolados e nem os primeiros na instituição. “Há pichações em outros prédios, registros de constrangimentos causados por comentários de professores em salas de aula e outros casos que estão sendo investigados”, disse.

Os manifestantes e representantes de movimentos sociais se reuniram na quarta-feira, 16, com representantes da reitoria, que prometeu realizar um seminário no mês de maio para discutir ações para combater a intolerância racial. “O seminário é importante, mas queremos mais. O importante seria instalar uma comissão permanente de combate ao racismo na universidade”, disse Reis.

O vereador Carlão do PT, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, esteve no evento e disse que o sistema de recebimento de denúncias da Câmara terá um canal especial para casos de racismo no meio universitário e acionará imediatamente os órgãos responsáveis por investigações e processos judiciais.

Paulo Oliveira, primeiro-secretário da ADunicamp, participou do evento e disse que a associação sempre esteve atenta contra todo o tipo de assédio ocorrido no meio universitário, incluindo os de cunho racial.

Os manifestantes fizeram uma passeata pela Unicamp e foram até a reitoria, onde foi entregue um manifesto com as principais reivindicações. Na concentração, no Ciclo Básico II da universidade, e durante toda a passeata, estudantes e representantes da associação falaram sobre experiências discriminatórias que viveram dentro instituição. Também acusam a Unicamp de falta de agilidade na apuração dos casos denunciados, que acabam sendo esquecidos por causa da demora causada pela burocracia na instituição.

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