Estudantes da PUC-SP vão se reunir com reitor para discutir mensalidades

Cerca de 200 alunos ocuparam reitoria na última quinta; Dirceu de Mello divulga comunicado

Solange Spigliatti, do estadão.com.br

19 Novembro 2010 | 15h41

SÃO PAULO - Cerca de 10 alunos, representando cada um dos cursos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), vão se reunir na tarde desta sexta-feira, 19, com o reitor da universidade, Dirceu de Mello, para discutir a diminuição dos valores das mensalidades.

Cerca de 200 estudantes ocuparam a reitoria na manhã da última quinta, após reunião do Conselho Superior de Administração da PUC, que confirmou um reajuste de inflação nos valores de todos os cursos em 2011.

O grupo afirma que entregou à reitoria, há duas semanas, um documento com uma série de reivindicações e, como não teria obtido "respostas em alguns itens importantes, como o da redução das mensalidades", os alunos decidiram pela ocupação.

Na tarde desta sexta, cerca de 100 estudantes ainda estavam na reitoria. A reunião estava prevista para começar às 15 horas, em uma sala ao lado do gabinete de Mello.

O reitor enviou comunicado nesta tarde sobre o ocorrido:

À Comunidade Puquiana

Da inoportunidade, injustiça e ilegalidade - ilegalidade do ponto de vista criminal, inclusive -, já o disse, e com precisão, nota divulgada em seu site pela Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, acerca da invasão e ocupação da Reitoria e Secretaria Geral da Universidade, verificadas no dia de ontem, 18 de novembro.

É por isso que, sem qualquer tipo de ressalva, subscreve tal manifestação o Reitor da Instituição. A nota da Reitoria, neste momento, tem por objetivo alertar alunos, professores e funcionários acerca de possíveis consequências do ato de pessoas que, seguramente, não falam e nem procedem em nome da grande maioria dos puquianos.

Para começar, porque ilógico pensar-se possa uma Universidade privada, que vive praticamente da contribuição financeira dos alunos, cogitar da gratuidade de seus cursos, da redução, ou da não atualização das mensalidades que cobra, ante a realidade de inflação que, já admitida pelos institutos de pesquisa próprios, aponta para recomposições indeclináveis.

Demais disso, interferindo com o comando maior da Universidade, precipitam invasão e ocupação consequências que, nesta altura, sequer se pode prever. Expedientes vários e importantes - documentos, processos, correspondência, etc., etc. - se encontravam na Reitoria e na Secretaria Geral. O que quer dizer que, de plano, o segundo maior Colegiado da Universidade, ou seja, o Conselho de Administração (CONSAD) não tem condições de se reunir.

Questões de vital importância para a Universidade, sujeitas ao cumprimento de prazos - Orçamento, Plano de Desenvolvimento Institucional, Relatório de Atividades e Plano de Ação para 2011 -, consequentemente, ficam com sua discussão interrompida.

Questões igualmente vitais, outrossim, pendiam de exame pelo Conselho Universitário da Universidade, cujos membros, malgrado agendada sessão do órgão para 24 de novembro, nem pode o Reitor convocar.

Também preocupantes, sobretudo nesta altura do ano, reflexos acadêmicos e econômicos, diretos ou indiretos, que as restrições a que submetidas Reitoria e Secretaria Geral da Universidade poderão desencadear.

Esses, em apertada síntese, os prejuízos que o ato de alguns acabam impondo à grande maioria dos que frequentam e vivem a Universidade. Sem se falar nos danos à própria Instituição, em sua imagem e conceito perante a opinião pública e autoridades ligadas ao ensino universitário.

Prof. Dr. Dirceu de Mello

Reitor

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