Estudantes começam a se preparar cada vez mais cedo para vestibular

Com pressão por resultados e insegurança sobre o futuro, alunos começam a decidir seus cursos e a se preparar cada vez mais cedo para o vestibular

Rodolfo Almeida, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2014 | 23h00

O ensino médio é um dos mais delicados períodos escolares na vida de um jovem. Com o fim da adolescência e a preparação para a vida adulta, diversos fatores contribuem para o estresse e a pressão psicológica dessa fase – como a proximidade do temido vestibular.
Felipe Rau/Estadão

Valery saiu do balé para se dedicar aos estudos

Diante da competição por vagas em universidades e da expectativa de uma boa classificação, a prova pode se tornar uma fonte de ansiedade precoce e colocar os estudantes cada vez mais cedo diante dos simulados.
É o caso da estudante Valery Helena, de 15 anos, que, no primeiro ano do ensino médio, já se inscreveu em simulados da escola para o Enem. Em dúvida entre Medicina e Bioquímica, a aluna estuda em período integral – com plantões de dúvidas três vezes por semana – e teve de abandonar o balé por conta da preocupação com o vestibular.
“Eu penso em voltar, mas se fizer dança perco o plantão. Tenho medo de prejudicar meu desempenho e desperdiçar o dinheiro dos meus pais”, conta.
Para Valery, o essencial é escolher seu curso desde cedo para poder se preparar antecipadamente. “Se você quer Engenharia, todo mundo concorrendo vai ser bom em Matemática. Para passar deles você precisa se adiantar e estudar as outras matérias que eles vão errar”, diz.
Segundo o psicoterapeuta especializado na preparação emocional para provas, Fernando José, a responsabilidade de fazer uma escolha adiantada cria uma pressão muito grande sobre o jovem.
“O adolescente tem de tomar decisões muito importantes aos 15 ou 16 anos. Ele não viveu nem um quinto de sua vida e precisa escolher algo que imagina que vá fazer para sempre”, afirma.
De acordo com o especialista, isso pode gerar problemas psicológicos como ansiedade e depressão, além de deixar a formação pessoal e humanística em segundo plano.
Guardar a preocupação com o vestibular para o último ano também pode não ter bons resultados, gerando desde a frustração de uma reprovação até a mudança frequente de cursos no ensino superior e o arrependimento.
É por experiência própria que a aluna do cursinho da Poli, Hannah Teixeira, de 19 anos, defende a preparação desde o ensino fundamental. “Se eu tivesse me preparado desde o primeiro ano – ou até antes – já estava dentro da faculdade”, diz.
A estudante tentou os vestibulares da Unesp, Fuvest e Enem para o curso de Direito, mas não foi aprovada. Isso porque, na escola, acabou não valorizando conteúdos que mais tarde seriam cobrados nas provas.
Para ela, a vantagem de estudar para o vestibular desde cedo é o desenvolvimento do hábito. “É mais fácil se acostumar com a pressão e o ritmo de estudos quando se é criança do que quando já se está perto da prova”, afirma. “Por isso, aconselho minhas irmãs: estuda agora para não se arrepender depois.”
Não é fácil se preparar para o futuro e não existe uma fórmula mágica para descobrir o momento certo de estudar para o vestibular, mas é fundamental manter o diálogo entre pais e filhos. “É preciso ouvir o jovem e fornecer a ele informações para que decida as coisas no seu próprio tempo. O importante é respeitar seu ritmo”, conclui o psicoterapeuta. 

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