Amanda Lins de Farias Mousinho Meira
Amanda Lins de Farias Mousinho Meira

Estudantes brasileiros em Portugal elogiam estrutura, mas reclamam de ‘panelas’

Alunos encontram boas escolas, mas falta de debate em sala e pouco contato com portugueses incomoda

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

10 Maio 2018 | 03h00

Habituada às greves na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brenda Brito, de 25 anos, tinha pelo menos uma certeza quando começou a estudar Comunicação na Universidade do Algarve (UAlg), no sul de Portugal, em 2016: a de que o curso terminaria no tempo certo. Brenda voltou a fazer o Enem após desistir da graduação em Arquitetura na UFPB e, com a nota, conseguiu uma vaga na instituição portuguesa. 

“Em estrutura, a universidade é muito boa. Tem restaurante universitário, cadeiras em dia.” Mas Brenda vê diferenças na metodologia das aulas - com menos debates - e dificuldade de integração entre brasileiros e portugueses. “Fazemos trabalhos de grupos com brasileiros. Os portugueses são fechados”, diz. 

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Fillipe Maya, de 19 anos, estudante do 1.º ano de Bioengenharia na Universidade do Porto, no norte do país, tem percepção parecida. Na turma de 80 alunos, é um dos cinco brasileiros e se relaciona mais com os conterrâneos e estrangeiros não portugueses.

Também sente o distanciamento na relação entre professores e alunos. No início do curso, estranhou a cobrança de cálculo, que não aprendeu no ensino médio. “Ofereceram curso de nivelamento nas primeiras semanas para conseguirmos acompanhar”, lembra. 

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Apesar dos desafios, o estudante, do Tocantins, elogia a universidade e destaca a segurança na cidade. Embora tivesse nota suficiente para cursar Engenharia de Petróleo na Universidade Federal Fluminense (UFF), ele escolheu a experiência internacional e não se arrepende. “Minha mãe até falou: ‘Mesmo mais longe, fico mais tranquila que você esteja em Portugal do que no Rio.”

Reitor da UAlg, o professor Paulo Águas destaca a oportunidade de contato multicultural na instituição. “Todos os anos, a UAlg organiza uma semana de acolhimento para os estudantes internacionais.” 

Vice-reitora da Universidade do Porto para as Relações Externas e Cultura, Fátima Marinho define os estudantes brasileiros como empenhados e diz que a instituição “tenta integrá-los, fazendo-os sentir em casa.”

Critérios. A escolha de uma universidade no exterior deve ser precedida de muita pesquisa. É o que defende Andrea Tissenbaum, especialista em educação internacional e autora do Blog da Tissen, no site do Estado. “(Os alunos) têm de entender quem está dando aula no lugar para onde querem ir e o que esse lugar traz de inovação.” 

Para ela, Portugal tem áreas fortes como Direito, Engenharia, Arquitetura, Economia, Business, Literatura e Sociologia. E outras nem tanto, como Design, Publicidade e Propaganda e Marketing. “Não é por ser estrangeiro que é melhor do que o nosso. Temos excelentes graduações no Brasil.”  

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