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Estudantes anunciam desocupação da 1ª escola tomada no Rio

Durante coletiva, chefe de gabinete da secretaria de Educação discutiu com docente grevista e foi expulso aos gritos de 'fascista'

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2016 | 13h16

RIO - Primeira unidade tomada por estudantes no Rio, o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte, foi desocupado na tarde desta segunda-feira, 16. Os alunos deixaram a escola após 56 dias.  Eles tiveram as principais demandas atendidas pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), como eleição direta para escolha do diretor e o fim do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj). Mais 79 escolas estão ocupadas no Estado.

Os estudantes afirmaram que vão se manter mobilizados. “Se for preciso ocupar a Seeduc, nós ocuparemos. Nós construiremos a Seeduc, nós mostraremos quem manda. Porque se eles dizem que trabalham porque nós existimos, então vamos fazer isso acontecer. Eles vão trabalhar para quem devem trabalhar, para o professor e o estudante”, disse João Victor da Silva Barbosa, de 18 anos, do 3º ano do ensino médio.

No acordo com a secretaria, ficou acertado um calendário de visitas às escolas ocupadas para levantar pautas específicas a serem atendidas. Cada colégio fará documento com as necessidades e receberá verba de R$ 15 mil para obras emergenciais.

Estudantes contrários e favoráveis à ocupação chegaram a entrar em confronto duas vezes no Mendes de Moraes. Enquanto alunos desocupavam a escola ontem, o movimento Desocupa investiu nos colégios estaduais Visconde de Cairu e Central do Brasil, no Méier, zona norte.

O anúncio da desocupação foi tenso. O chefe de gabinete da Seeduc, Caio Castro Lima, esteve no colégio para dar a informação ao lado do comando dos estudantes. Ele foi chamado de fascista por uma professora grevista no momento em que afirmava não apoiar o movimento que pedia a desocupação da unidade. Lima mandou a docente se calar e acabou expulso da escola sob protestos dos alunos. Apesar do bate-boca, a decisão de desocupar a escola foi mantida.

Após o incidente, Lima entregou o cargo. “Fui lá fechar acordo que resultaria na desocupação da escola para a retomada das aulas. Uma professora me chamou de fascista e mandei que ela calasse a boca, pois essa senhora não sabe o que é isso.” Segundo ele, o governo cedeu em tudo o que poderia e a discussão só aconteceu porque parte dos professores não quer que o movimento dos alunos termine. Lima já pedira exoneração há dez dias, mas foi convencido pelo governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), a permanecer no cargo, pois era o responsável pela negociação com os invasores.

Em nota, a Seeduc lamentou que “um excelente profissional” tenha sido agredido e insultado. “Desde o início das ocupações, o chefe de gabinete vinha cumprindo uma agenda de conciliação com enorme sucesso e foi interrompido por pessoas que parecem não querer o fim do movimento de ocupações de escolas, o que a Seeduc considera lamentável”, diz o comunicado. A secretaria informou que todos os pontos acordados estão mantidos.

Os alunos do Mendes de Moraes aproveitaram o anúncio de desocupação para romper com entidades estudantis que apoiavam suas ações. De acordo com Barbosa, o comando das ocupações, formado por dois representantes de cada escola, “foi tomado por parasitas de entidades estudantis que só querem defender seus interesses e não o interesse de cada escola”.

O comando reúne membros da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), ligada ao PSTU e primeira apoiadora das ocupações, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da União da Juventude Socialista (UJS), ambas controladas pelo PC do B. Há ainda integrantes da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (Ames) e da Associação de Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (Aerj).

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