Agência Senado
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Estudante que discursou na Câmara do PR vai ao Senado contra PEC do Teto

Ana Júlia voltou a criticar a atual política de Educação e a repressão aos movimentos contrários: 'estamos priorizando o diálogo aberto'

O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 22h38

A estudante secundarista Ana Júlia Pires Ribeiro, do colégio estadual Senador Manoel Alencar Guimarães de Curitiba, esteve nesta segunda-feira, 31, na Comissão de Direitos Humanos do Senado para falar dos efeitos na Educação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55. O tema foi aprovado na Câmara como PEC 241, ou PEC do Teto. No Senado, todos os que ocuparam os debates nas três mesas de expositores criticaram a medida, por dificultar a execução do Plano Nacional de Educação (PNE).

Presidida pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a audiência pública teve a presença da jovem de 16 anos, que fez um discurso na Assembleia Legislativa do Paraná que viralizou nas redes sociais. Após a morte de um jovem em uma ocupação, ela destacou que havia "sangue" nas mãos dos políticos. Ana Júlia voltou a criticar a atual política de educação e a repressão violenta aos movimentos contrários. "Porque nós estamos lá pacificamente, lutando por uma educação pública de qualidade, na paz, conversando, priorizando o diálogo aberto." Em relação à PEC 55/2016, Ana Júlia afirmou que é uma proposta contrária à Educação do País. "Aqueles que votarem contra a educação estarão com suas mãos sujas por 20 anos."

Assista ao discurso de Ana Júlia na Câmara do Paraná:



No mesmo debate, Andreia Munemassa, do Sindicato Nacional dos Técnicos de Nível Superior dos Institutos Federais de Ensino, citou dados de um estudo do Dieese segundo o qual teriam sido investidos menos R$ 424 bilhões na educação caso o teto de gastos já estivesse em vigor desde 2002.

O Diese também projetou cenários para o futuro, que estipularam perdas para a saúde em torno de R$ 161 bilhões, de R$ 58 bilhões para a educação e de menos R$ 125 bilhões a ser aplicados na área da assistência social, nos anos de 2017 a 2025, caso o texto seja promulgado.

Já para Jaqueline Pasuch, do Fórum Nacional de Educação, a PEC 55 vai inviabilizar as principais metas do PNE. Ela explicou que o Plano Nacional de Educação prevê dobrar as atuais receitas a fim de cumprir as 20 metas, o que não será possível caso a proposta seja aprovada. O vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Orlando do Amaral, citou, como exemplo, que apenas 17% dos jovens entre 18 e 24 anos estão nas universidades. O objetivo do PNE era de aumentar para 33%.

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