Estudante pede 'Fora Rodas, fora PM' em redação da Fuvest

Candidato grifou letras para compor mensagem; texto foi escolhido um dos melhores do vestibular

Estadão.edu,

21 Maio 2012 | 16h57

Um estudante usou a prova de redação do último vestibular da Fuvest para exigir a saída do reitor da Universidade de São Paulo, João Grandino Rodas, e da Polícia Militar do câmpus do Butantã. A mensagem de protesto estava cifrada e não foi percebida pelos avaliadores, que até escolheram o texto como um dos 29 melhores do processo seletivo, segundo lista divulgada na quarta-feira.

 

O candidato (ou candidata) grifou letras isoladas ao longo dos três parágrafos de sua redação que, lidas na sequência em que foram destacadas, formam a frase “fora Rodas fora PM”. O caso foi revelado pelo portal G1 na tarde desta segunda-feira, 21. Logo em seguida, a Fuvest tirou o texto do ar, “para não incentivar que outras pessoas façam o mesmo tipo de brincadeira nas provas futuras”, afirmou a assessoria de imprensa. A USP não quis comentar o caso e reforçou que o estudante já foi aprovado e fez matrícula.

 

O tema da redação foi “Participação política: indispensável ou superada?”. Os autores dos melhores textos não são identificados. A Fuvest selecionou 10.852 alunos para a USP e 100 para a Santa Casa da capital.

 

 

Em setembro, Rodas firmou convênio com a PM para reforçar o policiamento na Cidade Universitária. Um mês depois, o flagrante de três alunos portando maconha motivou uma onda de protestos que culminou com a invasão da reitoria. Após a desocupação do prédio pela polícia, parte dos estudantes entrou em greve para cobrar a saída da PM do câmpus.

 

Levantamento do portal Universia encontrou erros nos textos elogiados pela Fuvest. Os deslizes mais comuns foram na grafia das palavras. Em uma redação, por exemplo, o candidato esqueceu do ‘h’ e do acento agudo na frase “...tronos ocupados a décadas”.

 

A professora de redação do Cursinho da Poli Caroline Andrade diz que o candidato do "fora Rodas fora PM" não cometeu um erro, apenas se posicionou politicamente. Ela considera "muito difícil" que a banca da Fuvest não tenha visto a mensagem subliminar. "A redação não passa apenas por um avaliador."

 

Caroline recomenda aos candidatos que façam somente o que a redação pede, não fujam do tema e escrevam no gênero textual cobrado pela banca. "Se pedem dissertação, não faça poemas", afirma. "Também não incite a violência ou escreva mensagens preconceituosas. No Enem, você pode ser eliminado."

 

Ainda segundo Caroline, o vestibulando deve fugir do senso comum em sua argumentação. "Falar que o Brasil é rico por sua natureza não acrescenta nada, é um clichê."

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