Estudante diz que perdeu vaga na UERJ para programa de cotas

A estudante Aline Bonfim dos Santos, de 17 anos, decidiu procurar a Defensoria Pública do Estado para entrar na Justiça contra a reserva de vagas para negros e pardos adotada no vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e garantir seu acesso ao ensino superior. Ela obteve 91,65 pontos no vestibular, mas não se classificou para medicina porque se autodeclarou branca e teve a vaga ocupada por um candidato que se autodeclarou negro ou pardo.A assessoria de imprensa da Defensoria informou que a defensora pública Fernanda Garcia Nunes, do Núcleo de Fazenda Pública, encaminhou ontem um ofício à universidade pedindo esclarecimentos sobre a classificação da aluna. "Vou tentar obter a minha vaga pelo meios legais", disse Aline. A mãe dela, Neide Bonfim, contou que "não podia mentir" ao inscrever a filha no vestibular. "Ficamos com medo de perder a vaga, porque não sabíamos como seria a conferência da cor da pele. Ela tirou uma boa nota e foi excluída por causa da cor. Procuramos a Defensoria Pública porque não temos dinheiro para pagar um advogado."O pai de Aline, Oswaldo Santos, disse que o ofício foi protocolado ontem na universidade. A reitora da Uerj, Nilcéa Freire, afirmou ontem que a instituição ainda não recebeu nenhuma intimação, mas, segundo ela, essa "é uma possibilidade com a qual a universidade trabalha desde o início". "Encaramos com naturalidade demandas judiciais que venham a ocorrer e temos o apoio da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça.

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