Estudante com filho de 14 dias chega atrasada e perde a prova

Graicy Vital, de 17 anos, chegou ao local da prova um minuto depois que o portão foi fechado

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu, e Tatiana Fávaro,

15 Novembro 2009 | 21h07

Eram 15h46 quando Graicy Vital, de 17 anos, deu de cara com o portão fechado. O atraso de um minuto impediu que a jovem fizesse o vestibular ontem no Cambuci, centro de São Paulo. Graicy levava nos braços o filho Enzo, de apenas 14 dias. Ela foi para o local com a mãe, Vera, que ficaria com a criança durante a prova. Saíram do Tucuruvi às 12h40, mas não foi suficiente. Aos prantos, Graicy implorou aos fiscais para entrar no prédio. "Já sou mãe, fazer um vestibular é essencial para eu ter uma profissão", desabafou, aos prantos. Ela faria prova para Medicina. Vera e os pais de outros vestibulandos também insistiram, mas não houve solução. "Quem sabe Deus está me preparando para a Fuvest", disse ela, confiando que o "ano difícil" terminará bem.  A história chegou à coordenação da Unicamp. Em coletiva em Campinas, o coordenador da Comvest, Renato Pedrosa, disse que o horário é rígido. Por causa do filho, segundo ele, Graicy poderia ter solicitado condições especiais para fazer a prova."Já tivemos grávidas prestes a ter nenê. Tem gente com dislexia, deficiência visual e outras situações especiais, e temos como acomodar, se houver solicitação. Mas não foi o caso. O problema não foi o nenê. Ela chegou atrasada". Duas pessoas fizeram a prova em hospitais, em Belo Horizonte e Campinas – uma delas isolada por gripe suína.  A rigidez no horário foi implacável. A entrada do candidato foi permitida, como anunciado previamente, até as 13h45 e nenhum minuto a mais. Em Campinas, os estudantes Guilherme Burgon e Guilherme Garrido, ambos com 17 anos, vão ter que esperar mais um ano se quiserem tentar vaga na Unicamp. Por uma confusão, chegaram três minutos após o fechamento do Ciclo Básico, onde foi realizada parte das provas do vestibular. "Não é possível! Chegamos aqui (no campus) antes das 13 horas e estávamos esperando dar 13h45 para subir para as salas", afirmou Burgon, que prestou vestibular como treineiro em 2008.  Este ano ele tentaria uma vaga no curso de economia. Mesmo tendo feito a prova no ano passado como treineiro, o estudante alegou que ele e o amigo acharam que, ao informar que os portões seriam fechados às 13h45, a universidade referiu-se aos portões do campus e não aos acessos às salas. "Nossa comunicação é muito boa. O aluno entra em contato por telefone, e-mail, tem a comunicação eletrônica, e esse ano teve até o Twitter", comentou Pedrosa, informando que a Comvest se cadastrou na rede social por ser um canal de comunicação direta com o jovem.

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