Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Estudante brasileiro troca de destino para aprender inglês

Cresce até 30% procura por países como Canadá, Austrália e África do Sul no primeiro trimestre por causa da alta do dólar e da libra

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2015 | 08h30

SÃO PAULO - A alta do dólar americano e da libra, moeda da Inglaterra, tem feito estudantes mudarem planos de intercâmbio em busca de destinos mais baratos. Países como Canadá, Austrália e África do Sul tiveram aumento de até 30% no total de viagens nos três primeiros meses do ano, segundo agências especializadas. Outros alunos mantêm o pacote original, mas investem em acomodações econômicas e cursos menores.

A gangorra no câmbio obrigou Felipe Costa, de 27 anos, a mudar seu itinerário de Nova York para Toronto, no Canadá. "Troquei o pacote quando o dólar estava a R$ 3,30", conta. A cotação da moeda americana já recuou nas últimas semanas, mas segue perto de R$ 3 - 30% a mais do que na mesma época de 2014. Já o dólar canadense custa hoje cerca de R$ 2,50.

Para Costa, a desistência saiu mais barata do que manter os planos, apesar das multas. "Como viajo com minha namorada, tivemos que calcular tudo em dobro", explica o analista de compliance, que embarca em setembro para ter aulas de inglês.

De acordo com ele, a escolha do novo destino seguiu sua preferência de ficar em uma cidade grande, como São Paulo e Nova York, com boa oferta cultural e de serviços. "Em relação à qualidade do ensino, me disseram que era a mesma", afirma.

A adaptação da viagem deve ser cuidadosa para buscar destinos equivalentes, afinar interesses e evitar frustrações. "O intercâmbio expõe a pessoa a uma rotina e uma cultura. Se escolher a época errada do ano para ir, por exemplo, não funciona", alerta Luciano Timm, diretor da agência de intercâmbios EF Education First.

Segundo ele, a procura tem sido por locais onde o custo de vida é menor. O euro, que não valorizou tanto quanto o dólar, também favoreceu alternativas na Europa, como a Ilha de Malta e a Irlanda.

Quanto ao medo de substituir o sotaque americano ou britânico por outros menos tradicionais, Timm não vê problemas. "O aluno deve estar preparado para isso. Aliás, é cada vez mais comum falar inglês com quem não é nativo da língua, com diferentes sotaques."

Sem trava na língua. O tipo de pronúncia foi empecilho para Adriana Indiana, de 25 anos, que fez intercâmbio em março na África do Sul, mas apenas no início. "Com dois dias já estava acostumada", relata a analista de departamento pessoal, que antes sonhava em estudar na Califórnia.

Além de cortar gastos, o novo destino permitiu que sobrasse dinheiro para o lazer nas horas vagas. "Nos Estados Unidos, precisaria de R$ 4 mil para me manter 15 dias. Na África do Sul, foi a metade." A moeda local custa cerca de R$ 0,25. O tempo de curso, porém, encurtou para caber no bolso: a ideia original era ficar por um mês.

O receio de abandonar o intercâmbio mais tradicional deu lugar à satisfação de conhecer uma cultura bem diferente. "Adorei ficar em uma casa de família", elogia. "E ao mesmo tempo, também conheci pessoas de várias nacionalidades."

Cidade menor. O alto custo da libra, atualmente em cerca de R$ 4,50, não desanimou Amanda Gundes, de 29 anos, a fazer intercâmbio na Inglaterra. A solução foi trocar Londres pela cidade de Bristol, mais barata e a uma hora da capital. “O preço é quase 40% menor. Vamos ter conforto e podemos conhecer Londres no fim de semana”, prevê.

Como ela está desempregada, cada centavo contou no planejamento. “Vinha adiando essa ideia há anos, até por causa do trabalho. Quis aproveitar esse período de ócio de maneira produtiva”, diz a estudante de Engenharia.

Além de ficar em cidades menores, com custo de vida mais baixo, o tipo de acomodação pode ajudar. “Casas de família são mais econômicas”, aponta Márcia Mattos, gerente de curso da agência Student Travel Bureau (STB). “A residência perto da escola também elimina o gasto de transporte.”

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