Estudante abandona Faculdade de Medicina após trote violento

Luiz Fernando Alves, de 22 anos, sofreu ferimentos físicos, perdeu a consciência e foi encontrado seminu, na beira da piscina de um clube de Rio Preto, onde era realizada a Festa do Bicho

Chico Siqueira, Especial para O Estado

24 Março 2014 | 18h24

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Um calouro da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) abandonou a escola após ser hostilizado em trote violento. Luiz Fernando Alves, de 22 anos, sofreu ferimentos físicos, perdeu a consciência e foi encontrado seminu, na beira da piscina de um clube de Rio Preto, onde era realizada a Festa do Bicho, na noite de terça-feira, 18.

Alves denunciou à polícia que foi obrigado, junto com outros alunos, a consumir bebida alcoólica e a ficar de joelhos, enquanto veteranos despejavam cerveja gelada em seu corpo, batendo com as garrafas em sua cabeça. Foi empurrado e agredido com socos e pontapés, enquanto urinavam e vomitavam em seu corpo. As agressões foram tantas que perdeu os sentidos e quando acordou, estava seminu, na beira da piscina, com o corpo coberto por vômito e urina. Segundo Alves, além dele, outros meninos e meninas, sofreram as mesmas agressões.

No dia seguinte, ao comentar que reclamaria com o diretor da faculdade, começou a receber ameaças de morte, o que o levou a abandonar a faculdade e voltar para Contagem (MG), onde moram seus familiares. Antes de partir, na sexta-feira, 21, ele fez um boletim de ccorrência denunciando as agressões.

Família. "Meu filho sofreu ferimentos na coxa, na mão, e no rosto e teve uma das orelhas cortada", contou nesta segunda-feira a mãe de Alves, Flordelice Hudson. "Ele está em consulta com o psicólogo agora, tem muito medo", disse. "Não queremos que os alunos sejam punidos. Só queremos que meu filho seja transferido para outra escola", contou. Segundo Flordelice, a família não quer que o jovem retorne a Rio Preto. "Não sabemos o que pode acontecer se ele voltar", disse.

A mãe conta que o filho passou quatro anos estudando para o vestibular e estava feliz porque a escola era gratuita. "Não temos dinheiro para pagar ensino particular. Ele não tem pai com dinheiro não. Aqui somos eu, ele e o irmão dele, que é deficiente", acrescentou Flordelice, pensionista há seis anos, desde que o pai de Alves morreu.

Punição. Em nota, a Famerp informou que abriu sindicância e vai punir os alunos responsáveis pelos trotes assim que eles forem identificados. O delegado do 5.° Distrito Policial, Airton Douglas Honorário, disse que estava à espera do Boletim de Ocorrência para iniciar a apuração do caso, que deve ser apurado como lesões corporais.

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