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Estágio e Primavera Árabe

Mineira trabalhou no Egito graças à ONG estudantil Aiesec; entidades como a OEA também ajudam a buscar bagagem profissional lá fora

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu,

12 Dezembro 2011 | 21h58

Quando dormiu pela primeira vez numa tenda no deserto do Saara, Lívia Macedo mal poderia sonhar que dali a três meses testemunharia uma revolução. A designer de ambientes mineira, de 24 anos, viajou no ano passado ao Egito para um estágio num escritório de arquitetura. Terminou em dezembro, mas ficou para viajar mais um pouco. Estava trancada num apartamento no Cairo com intercambistas enquanto multidões exigiam na Praça Tahrir a saída do ditador Hosni Mubarak.

Ela não podia se comunicar com a família, pois o governo cortou primeiro o Facebook e depois toda a internet e o telefone. “Havia filas enormes no supermercado, as pessoas estocavam água e comida porque não sabiam o que iria acontecer.”

Lívia deixou o Egito em 3 de fevereiro, oito dias antes da queda de Mubarak. O metrô ainda não funcionava e havia toque de recolher, então ela pegou o táxi no dia anterior e passou a noite no aeroporto.

Além da aventura, Lívia destaca a experiência profissional, obtida graças à sua participação na Aiesec, organização estudantil que promove intercâmbios. Ela trabalhou na criação de projetos e desenhos técnicos, inclusive para um hotel na Síria e para casas de arquitetura islâmica. “Na época, havia um boom imobiliário no Mediterrâneo, mas acho que a Primavera Árabe interrompeu projetos.”

A paulistana Marianna Cunha, de 22 anos, exercitou o que aprendeu como diretora financeira da Aiesec na PUC-SP, onde cursa Relações Internacionais, no escritório de contabilidade da Nokia em Budapeste. "Era a única estrangeira”, conta. “Eles precisam de alguém lá que fale português para se comunicar com o Brasil.” Marianna, que checava extratos de bancos e fazia relatórios de contas a receber, planeja agora trabalhar numa organização internacional.

O catarinense Thiago Dal-Toé, de 27 anos, já chegou lá. É consultor de segurança pública no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas em 2009 estagiou na Organização dos Estados Americanos (OEA), atividades que concilia com o mestrado na American University, em Washington.

“Mesmo não remunerado, o estágio valeu a pena, porque abre portas”, afirma. “Mas não adianta buscar trabalho só para manter o visto. Tem que ser para buscar uma profissão.”

Thiago estagiou na OEA e até bebeu cerveja com diplomatas americanos

Marianna trabalhou na contabilidade da Nokia em Budapeste

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