Estados devem resistir a plano para ensino médio

As mudanças planejadas pelo Ministério da Educação no ensino técnico vão enfrentar resistências dos governos estaduais. O decreto que o governo pretende publicar nos próximos dias foi entendido como desnecessário pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed). Mais do que isso, está sendo considerado um problema.A avaliação do conselho é de que a atual legislação já permite que o ensino técnico seja oferecido na mesma escola que o médio, além de dar a possibilidade de que também seja oferecido em instituições separadas."Essa modificação que o MEC está divulgando vai terminar por criar uma expectativa na população de que quem sair do ensino médio terá já uma qualificação, e isso não é verdade", afirmou Rosa Maria Cunha, secretária de educação do Pará e vice-presidente do Consed.Outra preocupação dos secretários é que essa expectativa da população se transforme em pressão pelo crescimento acelerado de um tipo de ensino que, hoje, em muitos casos, não é sustentado mais pelos Estados.Sistema SAtualmente, com a divisão das escolas de ensino técnico, boa parte dos cursos é oferecida pelo Sistema S (como Senai e Sesc), escolas de sindicatos e até mesmo empresas. Já pressionados pelo crescimento do ensino médio regular, os Estados teriam que investir num tipo de ensino mais caro."O ensino técnico é caro, precisa de laboratórios, professores especializados e todo um aparato que precisa de investimento", disse Rosa. Segundo a secretária, em uma audiência pública sobre o tema, o secretário de Ensino Técnico do MEC, Antonio Ibañez, ao ser perguntado sobre o financiamento para essa expansão, disse que o MEC não tinha analisado isso.Ao conversar com a reportagem na terça-feira, o secretário revelou que o MEC espera que o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, ainda a ser criado, vá ajudar os Estados.Apoio do CNEO presidente da Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (CNE), Antônio Callegari, defendeu a proposta do MEC, mesmo reconhecendo que possa haver custos."Os conteúdos profissionais precisam ser integrados com o projeto pedagógico e com as outras disciplinas, como inglês, matemática. Claro que pode haver um custo maior, mas é um investimento, não um gasto", afirmou.

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