Estado suspende avaliação de escolas

O governo paulista decidiu cancelar neste ano o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar no Estado de São Paulo (Saresp), prova feita desde 1996 com os alunos da rede pública. A interrupção foi publicada no Diário Oficial em junho, mas muitos diretores de escola não tinham conhecimento da decisão até ontem. Procurada pelo Estado, a Secretaria da Educação informou que o exame não será feito porque não houve tempo para estruturar possíveis mudanças para 2006 nem avaliar os resultados de 2005.A presidente do sindicato dos professores (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, que desconhecia o cancelamento, estranhou o fato de a secretaria não ter avisado a rede. "Se tem um motivo justo (para a suspensão), é preciso explicar o que aconteceu", diz.O Saresp foi aplicado pela última vez em novembro a cerca de 5 milhões de estudantes de escolas estaduais, municipais e algumas particulares - os da rede estadual participam obrigatoriamente. Os resultados ainda não foram divulgados. Este foi o primeiro ano em que a prova incluiu matemática; até então, havia apenas questões de leitura e escrita.O exame já passou por outras mudanças e polêmicas. Até 2003, a prova era feita por amostragem e só por algumas séries. Em 2004, começou a ser aplicada a todos os alunos de todas as séries, segundo determinação do então secretário Gabriel Chalita. Por causa disso, uma série histórica de resultados foi interrompida e não foi possível mais dizer se os alunos estavam melhorando ou piorando a partir de 1996.O governo chegou a divulgar um resultado parcial do desempenho dos alunos, mostrando um quadro surpreendentemente bom da rede em 2004, o que foi questionado por professores e entidades da área. "O Saresp começou muito bem, radiografando a situação das escolas. Só que os resultados não foram os melhores. Ao longo do tempo, as coisas foram mudando e os resultados, ficando esquisitos", afirma o presidente do sindicato dos diretores de escolas de São Paulo (Udemo), Luiz Gonzaga. Ele se refere a uma polêmica de 2003, quando os próprios professores corrigiram as redações. Para haver isenção, avaliações como o Saresp são realizadas por entidades externas ao governo, que ganham por licitação esse direito.CONCORRÊNCIA FEDERALA suspensão do Saresp pode estar relacionada também à concorrência com a Prova Brasil. Criada em 2005 pelo Ministério da Educação (MEC), a avaliação nacional é realizada de forma semelhante, mas oferecida gratuitamente a todas as redes públicas do País. Quase todas as prefeituras paulistas aderiram ao exame. Algumas cidades, como a capital, deixaram de participar do Saresp, que cobra R$ 1,35 por aluno avaliado no município - para a rede estadual, o custo é zero.O ex-secretário Chalita decidiu também que só uma amostra dos alunos da rede estadual participaria da Prova Brasil. Por esse motivo, na divulgação, neste ano, São Paulo foi o único Estado cujos resultados não puderam ser divulgados escola por escola."Temos muito interesse que nossos alunos participem das avaliações federais", disse a representante da Secretaria de Estado da Educação, Leila Iannone. Segundo fontes do MEC, a equipe da nova secretária, Maria Lúcia Vasconcelos, que assumiu a pasta em abril, não ficou satisfeita com a decisão da antiga gestão sobre a participação na Prova Brasil. Segundo Leila, o Saresp poderá passar a ser feito a cada dois anos, já que a logística foi complicada em 2005, quando os alunos tiveram de realizar o exame estadual e a Prova Brasil na mesma semana.JUSTIFICATIVA TÉCNICA"Acredito que foi uma decisão prudente, em defesa do recurso público", diz a ex-secretária da Educação Rose Neubauer sobre o cancelamento. A prova custa R$ 9 milhões. Para ela, é preciso estudar melhor os resultados do exame para que realmente possam orientar políticas públicas.Nilma Fontanive, educadora da Fundação Cesgranrio - responsável pela elaboração do Saresp em 2005 -, também acredita na justificativa técnica de que o Saresp foi suspenso porque professores ainda não sentem os resultados nas escolas. "São notas muito detalhadas, é preciso estudar antes de fazer outra prova.""Os dados mostram sempre o que já sabemos e nada muda", diz Gonzaga, da Udemo. "A Prova Brasil foi mais adiante, porque dá os resultados mais detalhados, por escola", completa Cleuza Rodrigues Repulho, secretária de finanças da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Agencia Estado,

17 de agosto de 2006 | 04h28

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