Estado reduz recursos para reforma de escolas

Orçamento para obras nos colégios prevê verba 32% menor em 2016; secretaria promete recuperar prédios e aumentar investimentos da pasta

Isabela Palhares, Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña, Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2015 | 21h47

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo terá menos recursos no próximo ano para reformas e manutenção de prédios escolares. A Secretaria Estadual da Educação terá R$ 168 milhões disponíveis para tal fim em 2016, ante R$ 247 milhões neste ano – queda de 32%. Os dados consideram a inflação no período com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Com a ocupação de 196 escolas no auge dos protestos contra a reorganização proposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), a falta de infraestrutura e os problemas de reforma em parte dos prédios escolares ficaram em evidência. Mesmo em escolas que não seriam fechadas, parte dos estudantes reclamava que não seria possível receber mais alunos por causa dos problemas já existentes. Mato alto, falta de pintura, cadeiras e mesas quebradas e salas sem porta são os mais frequentes. 

Na Escola Brigadeiro Gavião Peixoto, a maior do Estado, localizada em Perus, zona norte da capital, as reclamações foram levantadas durante a ocupação do colégio, que durou 20 dias. “A nossa quadra está interditada há quatro anos por falta de manutenção”, reclamou a aluna Vanessa Alves, de 16 anos. 

Vistoria. No dia em que o colégio foi “devolvido” à diretoria de ensino, funcionários da Secretaria da Educação fizeram vistoria no prédio em busca de possíveis danos cometidos por alunos. A reportagem acompanhou a visita e constatou que ao menos dez salas de aula não tinham porta – o colégio tem 35 salas. Além disso, parte dos vidros das janelas estava quebrada, alguns bebedouros não funcionavam e os compartimentos de proteção anti-incêndio estavam sem as mangueiras e até sem extintores. 

Na quadra interditada havia acúmulo de cadeiras e carteiras quebradas. A pasta diz que vai reformar a quadra e fazer outros reparos necessários.

Na escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, a primeira ocupada na capital, os alunos reclamam de “abandono do prédio”. Na unidade, um dos banheiros femininos está sem o vaso sanitário. Em uma das salas de aula a lousa está pela metade, além de ter cadeiras e carteiras danificadas. “O prédio é ótimo, grande, tem uma estrutura muito boa. Mas não tem nenhum investimento em manutenção, em conservação. É um desperdício”, contou a aluna Camila Rodrigues, de 15 anos.

Em nota, a secretaria informou que o orçamento do próximo ano será R$ 155 milhões maior. Em investimentos, a pasta terá aumento de 75%. A secretaria não respondeu, no entanto, sobre a verba para reforma e manutenção. Diz ainda que a escola Fernão Dias, que segue ocupada pelos estudantes, está impossibilitada de receber funcionários para reparos.

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