Luiz Cláudio Barbosa/Código19
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Governo do Estado pede reintegração de escola invadida em SP

PMs cercam colégio em Pinheiros; professor foi detido por desacato

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2015 | 20h31

Atualizada às 22h48

O governo do Estado entrou, na tarde desta quarta-feira, 11, com pedido de reintegração de posse da Escola Estadual Fernão Dias Paes, invadida por alunos em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na terça-feira. Até as 19h30, o Tribunal de Justiça (TJ-SP) não havia analisado o pedido.

Cerca de 30 alunos invadiram o prédio em protesto contra a reorganização da rede promovida pela Secretaria da Educação. Houve confronto entre policiais militares que cercam o prédio e estudantes, e um professor, diretor da Apeoesp, principal sindicato da categoria, foi preso por desacato.

A escola está cercada pela PM desde a tarde de terça-feira. Ninguém está autorizado a entrar no prédio, mas seis alunos que participavam da ocupação deixaram o local após se identificar. O professor de Geografia José Roberto Guido teria tentado evitar que a polícia identificasse os estudantes, foi detido e agredido com cassetete.

Pela manhã, a PM usou spray de pimenta contra duas adolescentes, de 15 e 16 anos, que protestavam na frente do colégio. Uma delas chegou a desmaiar e precisou ser levada para um hospital da região.

Sandy Rodrigues, de 15 anos, foi uma das atingidas pelos policiais. “Nós recebemos a informação de que estavam jogando bombas de gás lacrimogêneo dentro da escola. Quando fomos até o local, os policiais nos cercaram, nos encurralaram e nos agrediram”, disse a jovem. Na terça, já havia sido registrada confusão no local, quando a PM tentou deter duas adolescentes que deixaram o prédio. 

O ato ganhou a adesão de integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) e do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Eles passaram a noite na frente do colégio.

Desocupação. Lays, de 16 anos, foi uma das jovens que deixaram o prédio durante a tarde. Ela disse que desistiu de participar da invasão porque estava “muito cansada”. “Não concordo com a reorganização nem com a forma como a polícia está lidando com a gente, mas estou muito cansada e não conseguia ficar mais tempo lá.” Ela não quis dizer o nome completo.

De acordo com a capitão Cibele Marsolla, da assessoria de imprensa da PM, os policiais assumiram o controle da escola e, por isso, têm feito o controle dos alunos que saem. “Hoje não é um dia de funcionamento normal. Por isso, precisamos saber a identificação de cada um deles e saber se estão bem. Repassamos todas essas informações para o Conselho Tutelar”, disse. A dirigente de ensino da região centro-oeste, Rosangela Aparecida Valim, voltou a dizer que a invasão é arbitrária. 

Manifesto. As 21h, os estudantes que estão dentro da escola leram um manifesto em que explicaram os motivos da ocupação do prédio. Eles ainda disseram que novas ocupações devem ocorrer em outras escolas nos próximos dias.

"Começamos a nos organizar em outubro, após o anúncio da reorganização, depois de muitos protestos e sem sermos ouvidos, vimos na ocupação uma forma de potencializar a voz dos estudantes", dizia o manifesto lido por uma das alunas.

De acordo com o texto, todos os participantes da ocupação são alunos do ensino médio. "Devemos fazer parte dessa reorganização. Os alunos excluídos do processo é que serão afetados com o corte de gastos resultante dessas medidas".

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