Estado de SP transforma bibliotecas em salas de aula para atender demanda de alunos sem vaga

Estado de SP transforma bibliotecas em salas de aula para atender demanda de alunos sem vaga

Com a crise econômica e a pandemia, governo relata alta migração de escolas particulares para colégios estaduais

Júnior Moreira Bordalo, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 11h35

A rede estadual tem adotado soluções de emergência, como improvisar salas de aula nos espaços de biblioteca ou laboratórios de informática, para resolver o problema da falta de vagas em escolas no início deste ano letivo. O governo João Doria (PSDB) afirma que houve alta migração de alunos de colégios privados para o sistema público, diante do agravamento da crise econômica e da pandemia da covid-19 no Brasil. 

“Estamos abrindo salas em locais que não eram salas. É uma das estratégias que tivemos de adotar”, admitiu Rossieli Soares, secretário estadual da Educação de São Paulo, em entrevista à Rádio Eldorado, na manhã desta quinta-feira, 10. O gestor disse que a equipe não tinha como prever “porque o aluno estava desaparecido do sistema." Muitos pais, segundo ele "tiraram seus filhos da rede privada [durante o período sem aulas], mas a tendência era que voltassem para as mesmas escolas”.

Rossieli reiterou ainda que a ocupação trata-se de uma “solução” para atender esta demanda. “Estamos atrás de prédios para alugar. Queremos encontrar uma forma para que esses espaços sejam devolvidos às escolas. Porém, nossa prioridade agora é não deixar ninguém fora da sala Esse fenômeno não aconteceu de 2020 para 2021”.

As regiões ocupadas ainda não têm data para serem liberadas. “Não consigo dar uma previsão, pois são muitos lugares. Estamos preocupados de garantir a vaga, colocar os professores e alunos nas salas. Estamos bem perto de conseguir alocar todos os alunos sem vaga. Depois, pensaremos nisso”, insistiu.

Dados disponibilizados pelo Governo de São Paulo apontam que até a última quarta-feira, 8, a  rede pública estadual registrou 72.252 matrículas para o 1º ano do ensino fundamental na capital, com 6.586 alunos a mais que em 2021. Nas escolas públicas da Prefeitura de São Paulo, o atendimento passou para 49.428 crianças em 2022, o que equivale a 5.512 alunos do 1º ano a mais que no ano passado.

Para Rossieli o resultado foi mais expressivo na capital paulista. “Estamos tendo aumento de alunos em todas as cidades do Estado, mas por lá tivemos condições de atender. Aqui (na capital paulista), graças a esse fenômeno específico, tivemos essa diferença”, explicou.

Na última semana, o déficit de vagas nas escolas na cidade de São Paulo saiu de 5.040 para 2.614. “Devemos chegar a perto de 1000 pessoas agora. A expectativa é a de zerar nos próximos dias”, indicou e completou: “Lembrando que o sistema está aberto e, por isso, novos alunos podem chegar. Esse volume extra não aconteceu nos últimos anos”.

“Não acreditamos que seja sustentável esse movimento [de migração], mas para mudar, obviamente a crise do Brasil precisa diminuir. As coisas estão ligadas e é resultado direto da pandemia da covid-19", disse. 

Outra medida adotada pelo governo estadual foi a contratação imediata de novos professores para reforçar o atendimento no 1º ano do ensino fundamental, inclusive com dois educadores simultaneamente nas salas de aulas com mais de 30 alunos. “Justamente para equalizar os módulos sem prejuízos na aprendizagem daqueles casos em que precisamos aumentar os módulos. É uma preocupação por a alfabetização ser um momento extremamente importante”.

Os novos profissionais serão contactados por meio de uma lista de espera previamente preenchida pelas pessoas interessadas em atuar na rede estadual. “É um processo rápido. Até semana que vem, eles já serão notificados”, indicou o secretário.

 

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