Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Governo de SP antecipa em 15 dias vacinação de toda a população a partir dos 18 anos

Estado também prorrogou medidas de restrição por mais duas semanas

Felipe Resk, Renata Cafardo e Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 10h17
Atualizado 09 de junho de 2021 | 16h29

O governador João Doria (PSDB) afirmou nesta quarta-feira, 9, que vai antecipar em 15 dias a vacinação contra a covid-19 de todas as pessoas acima de 18 anos, que moram em São Paulo e não fazem parte de nenhum grupo prioritário. Na semana passada, o governador havia prometido imunizar a população geral até 31 de outubro, mas a nova previsão agora é de aplicar ao menos a primeira dose até 18 de outubro. A gestão também decidiu prorrogar por mais duas semanas as atuais medidas restritivas no Estado.

“Todos os grupos de pessoas por idade, sem comorbidade, serão vacinados com 15 dias de antecedência em relação ao calendário apresentado anteriormente”, anunciou Doria. Segundo o governo estadual, o adiantamento do plano também prevê imunizar mais cedo o grupo de profissionais de educação, além de gestantes e puérperas. Com as atualizações, o cronograma fica assim: 

  • Trabalhadores da educação básica de 45 a 46 anos: a partir de 9 de junho (80 mil pessoas)
  • Gestantes e puérperas sem comorbidades acima de 18 anos: a partir de 10 de junho (400 mil)
  • Pessoas com deficiência permanente, de 18 a 59 anos: a partir de 10 de junho (1 milhão)
  • Trabalhadores da educação básica de 18 a 44 anos: a partir de 11 de junho (360 mil pessoas)
  • Adultos sem comorbidades, de 55 a 59 anos: 16 de junho a 8 de julho (1,2 milhão)
  • Adultos de 54 anos: 9 a 19 de julho
  • Adultos de 50 a 53 anos: 20 de julho a 3 de agosto
  • Adultos de 45 a 49 anos: 4 a 18 de agosto
  • Adultos de 40 a 44 anos: 19 a 28 de agosto
  • Adultos de 35 a 39 anos: 29 de agosto a 7 de setembro
  • Adultos de 30 a 34 anos: 8 a 17 de setembro
  • Adultos de 25 a 29 anos: 18 a 27 de setembro
  • Adultos de 18 a 24 anos: 28 de setembro a 18 de outubro

 De acordo com o Estado, a antecipação foi planejada com base na previsão de chegada de vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde. Entretanto, esse processo tem sido marcado por atrasos e até entregas de lotes menores do que o prometido até o momento.

Para assegurar a eficiência do plano, a gestão Doria havia dito na semana passada que aplicou um “redutor” na quantidade de vacinas anunciadas, mas não informou quanto seria essa “margem de erro”. Também contaria com um “estoque estratégico” de 30 milhões de doses da Coronavac, compradas diretamente do laboratório chinês Sinovac, com previsão de entrega em setembro.

Segundo a planilha mais recente, o governo Bolsonaro informa que vai distribuir 39,89 milhões de doses para o País ainda neste mês - esse índice, no entanto, já é 8,9% inferior quando comparado à mesma projeção disponível na semana passada. Depois, de acordo com o ministério, a previsão é entregar 170,5 milhões de doses ao longo do terceiro semestre e mais 318,5 milhões no quarto.

A gestão Doria quer vacinar 1,2 milhão de pessoas, que têm entre 55 e 59 anos, de 16 de junho a 8 de julho. Para os demais grupos por idade, a estimativa do tamanho do público-alvo não foi informada. Segundo o novo cronograma, a vacinação vai sempre evoluir dos mais velhos para os mais novos. Em quase quatro meses desde o inícido da campanha, São Paulo aplicou ao menos uma dose do imunizante em um total de 12,7 milhões de pessoas.

Vacinação dos profissionais da educação básica

A gestão Doria também anunciou a antecipação da vacina para profissionais da educação básica com 18 anos ou mais, que começa nesta sexta-feira, 11. Antes, a imunização do grupo, estimado em 363 mil pessoas, estava prevista para ser concluída até 31 de julho.

Já nesta quarta, a campanha começa a atender o grupo de 45 e 46 anos, ou 80 mil pessoas, segundo o governo. Além dos professores, a vacinação abrange todos os funcionários das escolas, como profissionais da limpeza, merendeiras, porteiros e trabalhadores administrativos.

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Apesar de ter sido o primeiro Estado a iniciar a vacinação dos profissionais da educação básica, em 10 de julho, São Paulo será um dos últimos a concluir a imunização da categoria. Um levantamento feito pelo Estadão mostra que em 19 capitais a vacina contra a covid-19 já está disponível a todos os profissionais da educação básica, independente da idade.

Outras três imunizam o grupo por ordem decrescente de idade. Brasília, Natal e Porto Velho estão vacinando os trabalhadores de creches e pré-escolas. Cidades de outros 15 Estados já vacinam os profissionais do ensino superior, o último grupo previsto no plano nacional para receber doses.

Nesta manhã, Doria e o centro de contingência chegaram a discutir se as escolas deveriam ampliar o limite de 35% dos alunos, como ocorre até hoje. A flexibilização seria um pedido de movimentos pela volta às aulas, como o Escolas Abertas. O governo, contudo, não anunciou mudanças.

Segundo o secretário da Educação, Rossieli Soares, há expectativa de que novos protocolos sejam apresentados ao comitê na próxima semana. "A vacinação vai impactar na volta mais segura. Estamos estudando a nova proposta em relação à metodologia de volta às aulas", afirmou.

O titular da pasta argumentou que seria menos efetivo promover mudanças agora, com o calendário escolar próximo às férias “Não adiantaria fazer de 35% para 40% neste momento. Traria mais desinformação, sendo que as escolas estão organizadas em suas bolhas”, disse. “Eu sempre quero ter mais crianças dentro das escolas, mas não valeria a pena neste momento.”

Restrições ao comércio continuam até 30 de junho

Com aumento de 35,1% de novos casos de coronavírus na última semana, Doria decidiu, ainda, prorrogar a fase de transição do Plano São Paulo, mantendo as atuais medidas e horários de funcionamento do comércio até 30 de junho. "Devido ao aumento dos índices da pandemia, sobretudo em algumas áreas localizadas do Estado, o centro de contingência recomendou prorrogar por mais duas semanas", disse o governador. "É uma medida de cautela, para proteger a vida das pessoas."

As restrições atuais determinam toque de recolher das 21h às 5h. Assim, comércios, restaurantes, salões de beleza, atividades culturais e academias de esportes podem funcionar das 6h às 21h, com no máximo 40% da capacidade. "O toque de recolher tem sido fundamental para contenção e redução da aceleração da pandemia neste momento que ainda requer cautela", afirmou a secretária Patricia Ellen, de Desenvolvimento Econômico.

Além da prorrogação, a gestão Doria vai recomendar que cidades com o sistema de saúde pressionado pela pandemia adotem medidas ainda mais restritivas do que as previstas no Plano São Paulo. A decisão final, no entanto, caberia às prefeituras.

"A sugestão será feita a todos os municípios com mais de 90% na ocupação de leitos de UTI", disse João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência Covid-19. Entre as medidas recomendadas, está reduzir o intervalo de funcionamento do comércio.

De acordo com dados da Secretaria da Saúde, a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 82,1% no Estado e 79,4% na Grande São Paulo. Ao todo, há 11.189 pacientes nas UTIs e as internações hospitalares têm crescido 0,5% ao dia. Desde o início da pandemia, foram registrados 3.382.448 casos e 115.960 mortes por coronavírus.

Por causa do cenário epidemiológico, o governo demonstrou preocupação com as manifestações de grupos pró e contra Bolsonaro, marcadas para os próximos dias. “O comitê recomenda que não ocorra, porque isso aumenta o risco de contaminação e, com certeza, prorroga o período da pandemia”, afirmou Gabbardo. “Somos absolutamente contrários a qualquer tipo de manifestação, seja do lado A ou lado B.”

Doria declarou, ainda, que o Estado vai multar o presidente Jair Bolsonaro, caso a determinação para uso obrigatório de máscara seja desrespeitada. “É lei”, disse. “Se o presidente Jair Bolsonaro imagina que, pelo fato de ser presidente, pode vir a São Paulo participar de um movimento de rua, seja qual for a razão ou o motivo, e não usar máscara, ele será multado como qualquer outro cidadão.”

Estado projeta crescimento de 7,6% no PIB em 2021

Secretário da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles afirmou que a economia paulista cresceu quase 2% no primeiro trimestre deste ano, apesar da segunda onda de covid-19. Segundo os dados apresentados, o avanço dos serviços em São Paulo foi de 1,2%, enquanto a indústria aumentou 2,8%.

"É um crescimento forte e robusto, mostra o nível pleno da recuperação econômica de São Paulo", disse Meirelles. O secretário projeta avanço de 7,6% do PIB do Estado neste ano.

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