Estado contratará 10 mil professores; projeto cria 50 mil vagas

Projeto de lei deve ser aprovado a tempo de haver concurso em setembro e contratações até o ano que vem

Carolina Freitas, da Agência Estado,

05 Maio 2009 | 18h20

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou a contratação de 10 mil professores e enviou à Assembleia Legislativa projeto de lei para a criação de outras 50 mil vagas na rede estadual de ensino. O reforço de 60 mil educadores aumentará em mais de um quarto (28%) o total de docentes do Estado, que hoje é de 210 mil, para 5,3 mil escolas e 5 milhões de alunos. 

 

A expectativa do secretário de Educação, Paulo Renato Souza, é ter o projeto de lei aprovado a tempo de fazer o concurso em setembro e as contratações até o ano que vem. A medida faz parte do programa "Mais Qualidade na Escola", lançado nesta terça-feira no Palácio dos Bandeirantes. 

 

Os professores que ingressarem na carreira a partir de agora terão de passar por uma etapa seletiva extra, um curso e uma prova da Escola de Formação de Professores do Estado, criada por decreto de Serra. A capacitação na Escola de Formação de quatro meses, com 360 horas, será obrigatória. A entidade está vinculada à Secretaria de Educação e terá recursos materiais e humanos da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

 

 Paulo Renato não soube precisar o custo da criação da Escola de Formação. Afirmou apenas que o maior gasto será com o pagamento de bolsa aos professores-estudantes, de 75% do salário inicial da categoria. Os recursos para a criação da escola, que será instalada em um prédio na zona oeste da capital paulista, virão do orçamento da Secretaria de Educação, disse.

 

 O Estado vai usar a estrutura da Rede Saber, de ensino a distância, e fará parceria com universidades públicas. 

 

Para integrar os novos concursados na rede pública, o governo propôs à Assembleia a criação de duas jornadas de trabalho para os docentes, de 40 horas e 12 horas semanais.

 

Atualmente, as jornadas são de 24 e 30 horas.  Ainda dentro do programa "Mais Qualidade na Escola", o governador enviou proposta para tornar a aprovação no exame anual de temporários um requisito para que esses professores ministrem aulas. Os chamados "temporários estáveis" também serão avaliados. Quem for reprovado terá carga horária reduzida para 12 horas semanais, cumprida fora de sala de aula, em funções auxiliares.

 

Serra

 

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atribuiu nesta terça-feira, 5, uma cota de responsabilidade pelas falhas no ensino no Estado à "inadequação das faculdades de pedagogia", que, para ele, falham na formação de docentes. Ao anunciar a criação da Escola de Formação de Professores do Estado, Serra criticou o excesso de teoria no currículo do curso. "Onde menos se avançou (na rede pública) foi no aprendizado", disse o governador. "Nas teses de faculdades de pedagogia há pouca coisa útil para melhorar o ensino."

 

Serra chegou a sugerir um tema para trabalhos acadêmicos na área: "Por que ninguém sabe a tabuada no final da 4ª série?". O governador disse que a tese ajudaria também a averiguar o conhecimento dos professores sobre matemática. "Eu já peguei professor que não sabia a tabuada", disse. O governador recomendou ainda que as instituições privadas de ensino estimulem com bolsas de estudos os alunos que queiram pesquisar "sobre a sala de aula".

 

Ao discursar sobre a rede de escolas técnicas do Estado, o governador voltou a mirar nas faculdades de pedagogia. "Ninguém vai ter ideia de fazer (uma tese sobre o ensino técnico) porque seria demasiado útil e banal."

 

O secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza, disse esperar que a recém-criada Escola de Formação inspire mudanças nos cursos de pedagogia. "A escola vai influenciar as faculdades de educação", disse Paulo Renato. "Os professores têm muita teoria e pouca prática."

 

Ensino técnico

 

Em meio a elogios a uma das principais bandeiras de seu governo, o ensino técnico profissionalizante, Serra parafraseou o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Na área de ensino técnico e tecnológico, estamos fazendo a maior expansão da história de São Paulo. Se fosse o Maluf, diria assim: 'Fizemos mais Fatecs Faculdades de Tecnologia do que tudo o que foi feito desde o descobrimento até 2007", disse, para depois brincar com uma frase usual de Lula: "Nunca antes na história deste Estado se fez tanta escola."

 

O governador disse ainda que mudará o nome do Centro Paula Souza, que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e Fatecs do Estado. Segundo Serra, o centro ganhará "um nome mais forte", SP Tec. "O pessoal pensa que Paula Souza é uma senhora benemérita, a Tia Paula, que recebe dinheiro de fundações suíças, dinamarquesas, alemãs para ensinar", disse. "Tem de ter um nome mais forte, que é SP Tec. Vai ser (esse o nome) daqui em diante."

 

O centro recebeu esse nome em abril de 1971, em homenagem ao engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza (1893-1917), fundador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

 

(Com Carolina Freitas, da Agência Estado)

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