Esporte é lucrativo para universidades

Os americanos dão importância ao esporte universitário não só porque ele é um celeiro de astros olímpicos. O negócio é lucrativo. As semifinais do basquete masculino da NCAA – Final Four – levaram este ano mais de 70 mil fãs ao estádio Ford Field, em Detroit.   "Milhares de pessoas acompanham as partidas. Eles investem porque gera dinheiro. Faculdades com times fortes atraem alunos que pagam anuidades de US$ 50 mil", diz Ricardo Silveira, sócio da 2SV Sports, que tem contato com mais de 100 universidades e envia aos EUA de 25 a 40 alunos com bolsa por semestre.   Uma das modalidades com as quais a 2SV Sports trabalha é o futebol. Ela faz três pré-avaliações por semestre para escolher os melhores jogadores. O Estadão.edu acompanhou uma dessas peneiras em Itatiba, no interior paulista, em agosto. Entre os 54 candidatos, 2 foram escolhidos para o teste final, realizado no último fim de semana. A decisão, que sai até sexta, caberá aos cinco técnicos americanos que vieram avaliar os atletas. Um dos pré-selecionados é Vinicius Serafico, de 15 anos, aluno da 1ª série do Colégio Bandeirantes. "A estrutura deles é muito boa. Quero fazer Medicina, e aqui é complicado conciliar faculdade e futebol."   Silveira garante que, quanto mais cedo o aluno for para o exterior, mais fácil é a adaptação. "Nos Estados Unidos, se o estudante não se desenvolver tecnicamente a ponto de se tornar um jogador profissional, pelo menos terá o diploma."   É nisso que aposta Daniel Stapff, de 19 anos, aluno do 2º ano de Finanças da Barry. O curitibano, campeão brasileiro de golfe amador, chegou a Miami no ano passado. Pretende se profissionalizar lá mesmo. Se não der certo, tem um plano B: "Posso trabalhar em um banco no Brasil."   Daniel participa das competições universitárias defendendo a Barry. Treina quatro horas por dia, de segunda a sábado. "A rotina é solitária. Compensa porque temos amigos do mundo todo."   Liderança Para Chad Waller, diretor de Esportes da Naia, o circuito universitário proporciona lições de vida. A liga diz trabalhar a construção do caráter dos estudantes, estimulando valores como responsabilidade e integridade. "A maioria não se profissionaliza. Mas os alunos se tornam líderes e pessoas respeitáveis." Para os brasileiros, a superação dos obstáculos garante um aprendizado ainda maior. "Você fica quatro anos fora, longe de todo mundo, às vezes com neve até a orelha. Tem que ser forte para aguentar", afirma Silveira.

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