Especializações em direito e saúde também crescem por conta do mundial

Para advogados, assessoria jurídica para transferência de jogadores é campo promissor

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, Estadão.edu

24 Junho 2014 | 03h00

Direito e saúde com especialização em esportes cresceram nos últimos anos e sofrem com a falta de profissionais com especialização. Quem se especializa em Direito Desportivo, por exemplo, encontra um mercado em franca expansão e pode atuar na Justiça esportiva, nas áreas trabalhista e tributária, com negociação de atletas e na assessoria jurídica das novas arenas do País.

“É crescente o interesse em aliar o Direito com o esporte”, afirma o coordenador da pós-graduação em Direito Desportivo do Instituto de Ciências do Futebol, Marcelo Jucá.

Segundo ele, que preside a Comissão de Direitos Desportivos da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ), a procura por cursos na área cresceu desde o anúncio de que a Copa do Mundo e a Olimpíada seriam realizadas no Brasil. Em 2007, lembra Jucá, suas turmas tinham de 15 a 30 alunos e havia apenas uma entrada por ano. “Hoje, são duas turmas por ano com média de 40 a 50 alunos cada. Cerca de 500 profissionais já se formaram. Acredito que de 10% a 20% trabalham na área, mas isso ocorre em qualquer pós-graduação”, afirma Jucá. 

Entre os campos de atuações, o coordenador destaca a assessoria jurídica na transferência de jogadores. “Esse processo precisa ser negociado por um profissional capacitado. Há poucos especialistas no ramo e há muito o que fazer. Por isso, os advogados que são referência recebem salários altíssimos.”

O advogado Denis Espana, de 35 anos, formou-se na pós-graduação de Direito Desportivo no Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IDP) em 2013. Após trabalhar no departamento jurídico do Corinthians durante cinco anos, ele abriu uma empresa de assessoria jurídica para auxiliar atletas, clubes e federações na negociação de jogadores, patrocínios e direito de imagem.

“Até 2008, atuava com Direito Tributário e mudei minha carreira. Foi uma evolução, já que esporte é um mercado mais restrito, mas remunera melhor. É uma área aquecida, mas fechada: é preciso fazer cursos e conhecer as pessoas certas”, avalia. 

Atualmente, Espana tem contrato com o Grêmio Barueri e presta consultoria para o Bragantino. O consultor não sentiu aumento de trabalhos por causa da Copa. “Esperava mais. Os clubes ficaram retraídos. As compras de jogadores foram seguradas no mercado nacional.”

Graduação. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), a disciplina de Direito Desportivo foi implementada na graduação em 2013. “Havia demanda dos alunos e recebemos sugestão da Academia Nacional dos Direitos Desportivos”, afirma o professor da faculdade de Direito da UFG Wladimyr Camargos. A Copa, segundo ele, estimulou os alunos a procurarem a área. “Aumentou o número de trabalhos de conclusão de curso e de livros publicados.” 

Outro ponto levantado por Camargos é a falta de professores especializados. “Há universidades que não têm a disciplina por ausência de docentes - e esse é outro campo de atuação”, diz.

Camargos também coordena o curso de extensão em Direito Desportivo do Instituto de Direito Público (IDP), de Brasília, aberto neste ano, e afirma que a expectativa é de transformá-lo em pós. O professor ressalta que a atuação do profissional não se resume aos tribunais desportivos. “É possível atuar com contratos e Direito do Trabalho. Há demanda de consultoria, assessoria e administração das arenas.”

Saúde.Profissionais que trabalham com educação física e saúde também tentam aproveitar o bom momento vivido pelo Brasil em relação aos eventos esportivos internacionais.

Personal trainer e gerente de academia, Valéria de Freitas Umberto, de 40 anos, decidiu cursar uma pós-graduação em Fisiologia do Exercício e Treinamento. “Atuo há mais de dez anos na área e quis me aprofundar. Trabalho com treinamento do corpo e pretendo atender atletas”, diz. A expectativa de Valéria é de que a Olimpíada alavanque a demanda por seus serviços.

A procura por profissionais como Valéria fez crescer a demanda. Na Universidade Anhanguera, por exemplo, a busca pela especialização aumentou 25% no último ano.

“Além da Copa, teremos a Olimpíada de 2016. A procura nessa área é grande e há alguns profissionais influenciados pelo momento”, admite o diretor de Extensão e Pós-Graduação, Pedro Regazzo. O curso aborda as reações do corpo humano durante o esporte. “Os profissionais podem atuar em clubes, atender atletas em consultórios e trabalhar em academias.” 

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