Acervo Pessoal
Acervo Pessoal

Especialização em Educação é opção de ‘ciência que gera ciência’

Quem opta por uma pós-graduação no tema se torna um cientista apto a multiplicar o interesse científico na sociedade

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

12 de maio de 2022 | 05h00

Quando cursava o ensino médio profissionalizante em agropecuária no Instituto Federal Baiano, Daniel dos Anjos Silva apresentou na Feira de Ciências um estudo científico que usou a comparação de densidade para avaliar se o leite consumido na escola estava adulterado. O leite foi aprovado, e Daniel viu nascer dentro de si a chama da ciência – que o levou à graduação em Física na Unicamp e ao mestrado e doutorado (em andamento) em Ensino de Ciências e Matemática pela mesma universidade.

Uma década depois de partir de Catu, município a 90 quilômetros de Salvador, Daniel voltou ao câmpus do IF Baiano, mas desta vez como pesquisador e professor da Especialização em Educação Científica e Popularização das Ciências. A missão de Daniel é ajudar na formação de profissionais que atuem como aqueles que ele encontrou na educação básica: promovendo educação científica e instigando nos adolescentes o amor pela pesquisa.

“Sou filho desse processo, e por isso é muito motivador poder participar da formação de colegas para que adquiram essa habilidade de instigar o espírito científico nos alunos da educação básica”, afirma Daniel. Se houver um modo de resumir, pode-se dizer que cursos como a Especialização em Educação Científica e Popularização das Ciências são “a ciência que gera ciência”. Quem opta por uma pós-graduação no tema se torna um cientista apto a multiplicar o interesse científico.

Hoje, o Brasil tem 900 pesquisadores por milhão de habitantes, enquanto nos países da OCDE o número chega a 4 mil por milhão. A Especialização do IFBaiano é transdisciplinar, com docentes de variadas áreas do conhecimento – Matemática, Pedagogia, História, língua estrangeira, Filosofia, Geografia, Nutrição, alimentos, Agronomia – e grade curricular que contempla disciplinas como História da Ciência e Políticas Públicas para Educação Científica. “Nossos estudantes são tanto professores da educação básica, que buscam se aperfeiçoar para desenvolver projetos com seus estudantes, como profissionais com outra formação engajados na popularização da ciência”, explica a coordenadora do curso, Mirna Ribeiro Lima da Silva.

Aluno da pós, Elcival Chagas do Nascimento teve uma ideia inusitada para seu trabalho de conclusão de curso: desenvolveu um projeto de alfabetização científica que usou um drone como ferramenta didática para o ensino de Física. “Com o uso do drone, pudemos estudar aerodinâmica, meteorologia, legislação aeronáutica e fatores éticos que envolvem o uso de drone. É uma visão ‘omnilateral’, de aprendizagem integral. O aprendizado não é de robótica. O estudante aprende a olhar a ciência de maneira ampla, desenvolve o pensamento científico, crítico e criativo.”

Matriculado no mesmo curso de pós do IFBaiano, o psicólogo Ariel Dantas Barbosa decidiu testar a fundo o conceito de popularização da ciência. Seu projeto é um trabalho de letramento científico voltado a pessoas em situação de rua. Por meio de práticas educativas não formais – como encenação teatral, vídeos, dinâmicas e murais – Ariel promoveu o letramento social dessa população. O roteiro da peça de teatro, por exemplo, mostrava a discriminação que as pessoas em situação de rua sofrem quando precisam de atendimento em órgãos públicos.

“Fazer ciência é pensar nas periferias e nas pessoas ‘invisibilizadas’, esquecidas pelo Estado. O meu trabalho é levar para essas pessoas a consciência crítica sobre seu lugar”, afirma Ariel. “No fim, eles entendem que o seu lugar não é um lugar fácil. Mas aprendem a olhar de forma crítica e a ter ferramentas argumentativas para lutar por uma solução.”

Foi numa dinâmica que propunha uma corrida que Ariel ajudou aquelas pessoas quase sem nenhuma escolaridade a entender o conceito e os desdobramentos da meritocracia. “Toda intervenção feita para as pessoas em situação de rua é focada no assistencialismo. Minha proposta foi trabalhar o letramento científico. Todas as pessoas, independentemente da formação acadêmica, podem e devem receber educação científica.” 

Tudo o que sabemos sobre:
ciênciaeducação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.