Especialistas discutem segurança pública no SBPC

Enquanto clientes são barrados em portas giratórias de bancos por causa de celulares, por que tal aparelho, que chega a ser considerado mais perigoso do que uma arma de fogo por facilitar a comunicação entre líderes de facções criminosas, é tão comum nos presídios do País? O assunto foi levantado pelo grupo de trabalho Violência, criminalidade e cidadania, na terça-feira, em Florianópolis, na 58ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Composto por mais de 60 especialistas de diferentes universidades, o grupo foi criado para discutir temas prioritários em segurança pública. Para os participantes, a falta de tecnologias que restrinjam a comunicação entre detentos, um arcabouço jurídico complexo e excessivo e institutos públicos que não dialogam entre si são alguns dos fatores que podem explicar a onda de violência registrada nos últimos meses, principalmente no Estado de São Paulo. ?O problema começa com a falta de argumentos para explicar a entrada de celulares nos presídios. É claro que há interesses múltiplos e conflitos enormes, mas precisamos cobrar do governo medidas emergenciais que aumentem a articulação entre poder judiciário e sociedade civil?, disse a socióloga Ingrid Sarti, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e diretora da SBPC. O grupo de trabalho apresentou uma agenda com desafios estratégicos que deverá ser encaminhada ao governo federal. O documento sugere o aumento na participação das mulheres nas atividades operacionais da polícia, a revisão da estrutura hierárquica e dos códigos de conduta dos agentes de segurança pública, o aumento de salários dos policiais e a criação de mecanismos alternativos de cumprimento penal. Para os autores, a repressão qualificada ao crime organizado, que tem como característica a forte infiltração de seus representantes na administração pública e na classe política, é um dos itens mais urgentes a serem cobrados do governo. ?Uma das propostas é a implementação de programas de educação continuada em que profissionais de segurança pública possam ter cursos de inteligência criminal. Isso deve ser feito em parceria com as universidades?, disse o desembargador Umberto Guaspari Sudbrack, que foi juiz criminal durante 20 anos.

Agencia Estado,

19 de julho de 2006 | 15h21

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