Especialistas defendem 'SUS da educação' em conferência nacional

Cerca de 3 mil gestores, acadêmicos e profissionais de educação debatem no Conae o próximo PNE

Agência Brasil

29 Março 2010 | 11h59

No primeiro dia de debates da Conferência Nacional de Educação (Conae), especialistas defenderam nesta segunda-feira, 29, a criação de um sistema de educação articulado que integre a União, os estados e os municípios - uma espécie de Sistema Único de Saúde (SUS) para a educação. A ideia é superar os entraves existentes por conta da autonomia federativa.

 

A Conae reúne até a próxima quinta-feira, em Brasília, cerca de 3 mil pessoas, entre gestores, representantes de movimentos sociais, acadêmicos e profissionais da educação. A principal missão do encontro é traçar as diretrizes para o próximo PNE, que vai vigorar de 2011 a 2020 e deve orientar os investimentos em educação e as prioridades do país na área.

 

A professora da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Nacional de Educação, Regina Vinhais, avaliou o exemplo da rede pública de saúde como positivo. Ela destacou, no entanto, que os recursos públicos precisam ser destinados "apenas e exclusivamente" para a rede pública de ensino - o que não ocorre no SUS, já que parte dos recursos vai para serviços privados.

 

"A educação no Brasil é um direito social pela Constituição Federal e um direito humano pela Declaração Universal dos Direitos Humanos", disse. "O Poder Público não garantiu esse direito para todos, optando por não institucionalizar o sistema de educação", completou, ao ressaltar que a história educacional no país é marcada pela exclusão, pelo alto índice de analfabetismo, pela pouca escolaridade e pelo frágil desempenho dos alunos.

 

Para o professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Demerval Saviani, a educação não deve ser vista como tarefa de governo, mas de Estado. Segundo ele, é preciso reverter a tendência de "diluir" responsabilidades educativas do Poder Público, transferindo-as para a filantropia e para o voluntariado.

 

"Cabe ao governo repensar a estrutura do plano, enxugando o texto e reduzindo o número de metas a aspectos mais significativos, e cobrar o efetivo cumprimento das metas", disse. Saviani propôs ainda a criação de um Fórum Nacional de Educação, que se reúna a cada dois ou três anos e que tenha como objetivo acompanhar o andamento das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.