Especialistas debatem educação em seminário do CIEE

Discussão apontou falta de investimentos, mal gasto de dinheiro público e salário baixo dos professores como motivo para desempenho ruim dos estudantes

O Estado de S. Paulo

23 Abril 2015 | 14h45

Falta de investimento, mal uso de recursos públicos, professores desmotivados e desempenho insuficiente nos índices internacionais. Este foi o diagnóstico da educação brasileira apresentado por especialistas no seminário “Educação: O Futuro do Brasil”, realizado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em parceria com o Estado.  O evento também marcou a posse do novo presidente do Conselho de Administração do CIEE, o advogado e jornalista Luiz Gonzaga Bertelli. 

O ex-reitor da Universidade de São Paulo e blogueiro do Estado, Roberto  Lobo, afirmou que apesar de a economia brasileira estar entre uma das maiores do mundo,  este dado é bruto e não reflete a realidade do País.  “Nós temos peso, mas não temos densidade. Temos um grande PIB e uma baixa renda per capita. Desempenho razoável nas Olimpíadas, mas número de medalhes por habitante baixo. Publicações científicas, mas se olharmos o número por habitante, não estamos bem. Não basta crescer, é preciso ter qualidade”.

Lobo lembrou que o País aumentou os investimentos na educação - de 3,7% em 2001 para 5,9% em 2011, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)  - mas os resultados nos rankings internacionais não acompanharam. O especialista  comentou a posição do Brasil no último ranking do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa) - 57º entre os 65 avaliados. A prova avalia o desempenho de 34 países considerados de primeiro muito e outros convidados, como o Brasil. “Podemos nos orgulhar estando tão abaixo do Chile, da Rússia, sem falar do Vietnã, e muito abaixo da média da OCDE? Além da média baixa, não estamos formando ninguém qualificado”.

O ex-reitor da USP lembrou ainda que o gasto por aluno é mais baixo que a média da OCDE. “Se nós olharmos o gasto por aluno, ainda é muito baixo.  Estamos a mais ou menos um quarto dos gastos do estudante do ensino básico do que gasta a OECD”. Outra crítica foi ao salário dos professores da rede pública. “Professor do ensino básico brasileiro ainda recebe cerca de 60% da média de outros profissionais de Ensino Superior”.

Para o  presidente do Conselho de Administração dp CiEE/Rio e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Arnaldo Niskier, o que falta é dinheiro. “O novo ministro da Educação (Renato Janine Ribeiro) foi  recebido com muito entusiasmo, de uma maneira rara, porque normalmente sempre há desconfiança. Temos que torcer por ele. Mas ele é recebido com um corte no MEC de bilhões de reais.  Já se pode imaginar com quanta limitação ele terá de lidar durante seu tempo de ministro.”

Economia. “Se na economia brasileira nós ocupamos um posto honroso, como o 7º maior Produto Interno Bruto no mundo, na educação não temos muito a comemorar. O Brasil não figura lamentavelmente entre as nações com os melhores índices de qualidade de ensino”, disse Bertelli, na abertura do seminário.  De acordo com dados apresentados pelo jornalista, a falta de educação reflete diretamente na economia. “Estamos na 75ª posição no ranking mundial de produtividade e 15º lugar na América Latina”.

Contra este quadro, Bertelli defende mais investimento e fiscalização dos gastos. “É necessário ampliar recursos na educação, mas também fazer com que os recursos cheguem à escola, para garantirmos melhores salários aos professores e melhor infraestrutura”. 

"O que me cabe neste momento é manifestar a satisfação com que o Estado de São Paulo apoia esta iniciativa do CIEE. Assim como tem apoiado, dentro das suas fronteiras, de seus territórios de luta e de informação confiável, as causas da educação como das mais importantes para a formação brasileira”, afirmou o editor-executivo do Estado, Ari Schneider.

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