Divulgação
Divulgação

Especialistas debatem educação em áreas de conflito

Como educar crianças que vivem em situações extremas foi um dos temas do segundo dia do World Innovation Summit for Education 2013, em Doha

Bia Reis, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2013 | 14h47

DOHA - O mundo tem 57 milhões de crianças fora da escola, sendo 29,8 milhões na África e 2,7 milhões na America Latina e no Caribe, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Desse total, estima-se que 28 milhões nunca cheguem a entrar em uma sala de aula. Metade das crianças que não frequentam a escola mora em regiões que enfrentam guerras.

Como educar crianças em vivem situações extremas - não apenas guerras, mas também alto nível de pobreza ou discriminação - foi o tema da discussão que deu inicio ao segundo dia do World Innovation Summit for Education (Wise) 2013, um dos mais importante eventos de educação do mundo, realizado em Doha, no Catar.

"As crianças que vivem em zonas de conflito são as que mais precisam de ajuda. E inaceitável que agências reduzam seus investimentos para ajudá-las", afirmou Gordon Brown, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação Mundial. Apenas na Síria, cerca de 2 milhões de crianças estão fora da escola - cerca de 40% vivem refugiadas.

Entre os palestinos, 500 mil crianças não estudam. "É uma responsabilidade internacional. Precisamos encontrar formas de fazer com que, mesmo durante a guerra, as crianças possam estudar. A educação não pode ser interrompida", afirmou Felippo Grandi, comissário-geral da agencia da ONU para os refugiados palestinos.

Segundo Grandi, é função dos organismos internacionais reduzir ou acabar com os fatores que dificultam ou impedem as crianças de irem à escola durante os conflitos, como problemas com o transporte. "Temos também que usar a tecnologia para levar a educação até a casa do aluno quando não há possibilidade de ele se deslocar."

No Brasil, os mais baixos níveis de escolarização são vistos em favelas e entre os índios da Amazônia. "A escola é a chave para o desenvolvimento da pessoa como um todo. E também oferece proteção contra violência", disse Antonio Guterres, alto comissário da ONU para os Refugiados.

Enfoque multissetorial. Para a sheikha Moza bint Nasser, fundadora e presidente da Fundação Catar, para combater a desescolarização, o enfoque deve ser multissetorial, com apostas principalmente em saúde e trabalho. "Não se trata apenas de recursos. Precisamos ser sensíveis à necessidade cultural de cada região. Precisamos mudar a educação e proporcionar acesso."

A sheikha é responsável pelo programa Educate a Child (EAC), que desenvolve 44 projetos em 24 países - 7 deles apenas em campos de refugiados. Somente neste ano, a organização conseguiu devolver às escolas 2 milhões de alunos. A meta é alcançar 10 milhões até 2015. No Brasil, o EAC tem parcerias com Associação Escola Aprendiz e Movimento pela Educação.

**A jornalista viajou a convite da Fundação Catar

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.